Secretário de Pezão envolvido na "propinolândia" da Alerj deixa governo

Do UOL, em São Paulo

  • Ian Cheibub/folhapress

    08.nov.2018 - O secretário de Governo do RJ, Affonso Monnerat, chega à sede da PF

    08.nov.2018 - O secretário de Governo do RJ, Affonso Monnerat, chega à sede da PF

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), aceitou nesta quarta-feira (8) o pedido de exoneração do secretário de Governo, Affonso  Monnerat, e determinou a exoneração de outros três servidores citados na operação Furna da Onça, que prendeu nesta manhã dez deputados estaduais e outras 12 pessoas suspeitas de participar de um esquema de corrupção comandado pelo ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Pezão determinou a exoneração dos servidores Carla Adriana Pereira, funcionária do Detran, Shirley Aparecida Martins da Silva, subsecretária de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social do Rio, e o presidente do Detran, Leonardo Jacob.

Em nota enviada à imprensa, o governador afirmou que não tinha conhecimento dos fatos e diz desconhecer também o teor das acusações imputadas aos servidores exonerados. Pezão ainda explicou que reafirma sua confiança na inocência do agora ex-secretário Affonso  Monnerat  (veja a íntegra abaixo).

A operação desta manhã foi um desdobramento da Cadeia Velha, no âmbito da Lava Jato. Além das 22 prisões, foram autorizados 47 mandados de busca e apreensão no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, e na Alerj.

De acordo com o MPF, a "organização criminosa chefiada por Cabral" pagava propina mensal ("mensalinho") a deputados estaduais em troca de apoio. Ao menos R$ 54,5 milhões em propina teriam sido pagos a deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) ao longo do segundo mandato de Cabral no governo fluminense, entre 2011 e 2014.

Cabral está preso desde 2016, com condenações que ultrapassam 180 anos de prisão.

De acordo com a procuradora Renata Ribeiro Baptista, do MPF, os mensalinhos variavam de R$ 20 mil e R$ 900 mil. A Lava Jato informou que o esquema movimentou R$ 54,5 milhões desde a gestão Cabral --parte desses valores envolvia sobrepreço de contratos.

O esquema, envolvendo fornecedores do estado e deputados estaduais, teria transformado a Alerj em uma "verdadeira propinolândia", conforme definiu o procurador regional da República Carlos Aguiar. Os investigadores dizem que cargos em órgãos públicos eram usados como "moeda de troca" e que os valores da propina chegaram até mesmo a custear o carnaval da Mangueira, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio.

"A Alerj se transformou numa verdadeira propinolândia tamanha a quantidade de benefícios que eram repassados para esses deputados em troca do apoio", disse Aguiar. "Volto a dizer, não apoio ao governo propriamente, apoio para a organização criminosa. E tudo isso em detrimento da população do Rio de Janeiro."

Veja a íntegra da nota de Pezão

O governador Luiz Fernando Pezão aceitou o pedido de exoneração do secretário de Governo, Affonso Monnerat, e determinou a exoneração dos demais servidores citados na operação hoje realizada, Carla Adriana Pereira, Shirley Aparecida Martins da Silva e o presidente do Detran, Leonardo Jacob. O governador reitera que não tem conhecimento dos fatos e tampouco do teor das acusações imputadas a esses servidores. O governador reafirma sua confiança na inocência do ex-secretário Affonso Monnerat.

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