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Horário deve reduzir nº de presidentes e governadores em posse de Bolsonaro

Gabinete da Presidência, no 3° andar do Palácio do Planalto, em Brasília - Pedro Ladeira - 26.out.2018/Folhapress
Gabinete da Presidência, no 3° andar do Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Pedro Ladeira - 26.out.2018/Folhapress

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

23/11/2018 04h00

A antecipação do horário da posse do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), pode esvaziar a presença de líderes estrangeiros e governadores em Brasília em 1º de janeiro de 2019. Antes marcada para as 17h, a assinatura do termo de posse, a ser realizada em sessão solene no plenário da Câmara dos Deputados, foi antecipada para as 15h a pedido do próprio Bolsonaro.

Com isso, a presença das autoridades na capital federal deverá ser dificultada pelo pouco tempo para deslocamentos após as festividades de Réveillon e pelas posses dos governadores em seus respectivos estados pela manhã, geralmente seguidas por almoço.

Por volta das 12h30 do primeiro dia do ano, como parte das cerimônias de posse, o Ministério das Relações Exteriores deverá oferecer um almoço em homenagem ao presidente eleito, à nova cúpula governamental e às delegações estrangeiras.

A posse presidencial em 1º de janeiro foi estabelecida pela Constituição de 1988 e coincide com o feriado de Ano Novo e com a posse dos governadores eleitos. Há no Congresso Nacional propostas para alterar a data, com sugestões tanto para outros dias de janeiro como para 15 de novembro, mas sem previsão de serem apreciadas.

A antecipação foi pedida por e-mail por um assessor do gabinete de Bolsonaro, que se passou pelo presidente eleito em mensagem a uma diretora do Senado. Após serem informados de que o assunto teria de ser tratado com o presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), Bolsonaro procurou o senador, que acatou a solicitação.

Na mensagem ao qual o UOL teve acesso, não há justificativa. O texto diz apenas que a mudança de horário é uma recomendação do futuro ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general da reserva do Exército Augusto Heleno. Uma das explicações possíveis, segundo responsável ouvido pela reportagem, é o desejo de se encurtar a cerimônia. No dia da posse, a previsão é de que Bolsonaro esteja se recuperando de cirurgia para a retirada de bolsa de colostomia usada desde que sofreu um atentado a faca, em setembro.

De acordo com integrante da organização da cerimônia, a posse é marcada geralmente para as 17h para poder contar com a maior quantidade possível de chefes de Estado e de Governo. Com a alteração, a expectativa é que haja mais embaixadores ou outros representantes em vez dos líderes.

Se quiser prestigiar a posse do governante brasileiro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem Bolsonaro admira e gostaria de receber, terá de sair dos Estados Unidos na madrugada de 1º de janeiro ou passar o Ano Novo em Brasília, o que é menos provável. A presença do líder americano ainda não foi confirmada.

Os 2.100 convites para a posse foram aprovados nesta quarta (21) e devem começar a ser confeccionados nos próximos dias. O Itamaraty envia os convites a todos os líderes de países com os quais o Brasil mantém relações diplomáticas. A expectativa é que todos os países da América do Sul estejam presentes, alguns da África e poucos da Europa e da Ásia. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, manifestou vontade em comparecer, mas ainda não confirmou oficialmente.

Já os governadores terão de correr se decidirem ir à posse presidencial. Após as respectivas posses pela manhã nos estados, os eleitos costumam promover almoços, mas, tendo de estar em Brasília antes das 15h, a agenda poderá ficar atropelada. Um voo de Fortaleza ou de Porto Alegre para a capital federal costuma levar cerca de 2h20, sem contar os deslocamentos de carro.

O UOL também apurou que, para chegar ao plenário da Câmara, onde fará o juramento do compromisso constitucional, será empossado e discursará, Bolsonaro não entrará pelo salão verde. Ele deverá usar uma entrada lateral e subir direto para a Mesa para não correr o risco de haver esbarrões e prejudicar o pós-operatório.

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