PUBLICIDADE
Topo

Política

Futuro ministro da Educação promete preservar valores conservadores

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

23/11/2018 14h30Atualizada em 23/11/2018 17h24

Anunciado nesta quinta-feira (22) como o ministro da Educação do governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), o professor e filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodríguez divulgou carta nesta sexta explicando os seus planos para a pasta.

O educador disse que pretende considerar o contexto da "preservação de valores caros à sociedade brasileira" para conduzir a gestão e elaborar normas para a educação no país. Segundo ele, os brasileiros são, "na sua essência", conservadores e avessos "a experiências que pretendem passar por cima de valores tradicionais ligados à preservação da família e da moral humanista".

"A preservação de um pano de fundo de respeito à pessoa humana é fundamental. Não à discriminação de qualquer tipo. Não à instrumentalização da educação com finalidade político-partidária. Sim a uma educação que olha para as pessoas, preservando os seus valores e a sua liberdade", escreveu o futuro ministro.

Ele concluiu o texto, divulgado pela assessoria da equipe de transição do governo, com a frase "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", lema da campanha de Bolsonaro, a quem Rodríguez disse ter apoiado por um motivo "simples".

"Ele externou a opinião da grande maioria do povo brasileiro, explicitada no desejo de ver consolidada uma nova forma de fazer política, longe das velhas práticas clientelistas e da tradicional negociação de cargos por benefícios pessoais", apontou o futuro ministro.

Ele defendeu ainda o slogan “Menos Brasília e mais Brasil”, apregoado pelo presidente eleito durante a campanha. "Pretendo tornar realidade esse ideal", disse, depois de lembrar que o pensador francês Alexis de Tocqueville (1805-1859) frisava que o município é a escola primária da democracia.

Segundo o futuro ministro, há no país uma "desvalorização da figura dos professores, notadamente no Ensino Fundamental e Médio". "O sistema educacional deve olhar mais para as pessoas ali onde elas residem: nos municípios", apontou.

Leia abaixo o texto na íntegra:

"Tive a honra de ser nomeado Ministro de Educação pelo presidente eleito Jair Messias Bolsonaro. O motivo que me levou a apoiar a candidatura à Presidência da República do candidato Bolsonaro foi simples: ele externou a opinião da grande maioria do povo brasileiro, explicitada no desejo de ver consolidada uma nova forma de fazer política, longe das velhas práticas clientelistas e da tradicional negociação de cargos por benefícios pessoais.

No cenário político que antecedeu as eleições, o candidato Jair Bolsonaro afinou-se com o desejo da grande massa dos setores populares, que estava cansada da república dos favores. As passeatas que percorreram ruas e praças Brasil afora, desde 2013, tinham como cerne a motivação de buscar uma nova forma de administrar o Brasil: em benefício dos cidadãos, que pagam impostos, colocando em função deles as instituições republicanas, corroídas pela corrupção em larga escala revelada pela Operação Lava Jato. O candidato Bolsonaro explicitou esse desejo dos eleitores no seu slogan: “Menos Brasília e mais Brasil”.

Quero deixar claro que o meu desejo é cumprir a contento o ideal proposto pelo nosso presidente eleito. A legislação e a gestão da Educação devem ir ao encontro das expectativas da sociedade. Devem levar em consideração primordialmente a dignidade das pessoas envolvidas, tanto os alunos quanto suas famílias, tanto os professores quanto os administradores. A instrumentalização ideológica da educação em aras de um socialismo vácuo terminou polarizando o debate ao longo dos últimos anos.

Pretendo colocar a gestão da Educação e a elaboração de normas no contexto da preservação de valores caros à sociedade brasileira, que, na sua essência, é conservadora e avessa a experiências que pretendem passar por cima de valores tradicionais ligados à preservação da família e da moral humanista. A preservação de um pano de fundo de respeito à pessoa humana é fundamental. Não à discriminação de qualquer tipo. Não à instrumentalização da educação com finalidade político-partidária. Sim a uma educação que olha para as pessoas, preservando os seus valores e a sua liberdade.

Precisamos recolocar a nossa Educação Básica, Superior, Profissional e Tecnológica em patamares que nos posicionem em destaque no contexto internacional. Assistimos a uma desvalorização da figura dos professores, notadamente no Ensino Fundamental e Médio. Ora, essa situação negativa deve ser revertida mediante uma política educacional que olhe para as pessoas. O sistema educacional deve olhar mais para as pessoas ali onde elas residem: nos municípios. O Estado brasileiro, desde Getúlio Vargas, formatou um modelo educacional rígido que enquadrava todos os cidadãos, olhando-os de cima para baixo, deixando em segundo plano a perspectiva individual e as diferenças regionais.

Tocqueville frisava que o município é a escola primária da democracia. É o município que deve ser o foco na organização da nossa legislação educacional, olhando para as diferenças regionais e levando em consideração os interesses dos cidadãos onde eles residem. “Menos Brasília e mais Brasil”, apregoou o candidato presidencial eleito durante a campanha. Pretendo tornar realidade esse ideal.

Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.

Ricardo Vélez Rodríguez, Ministro da Educação Indicado

Política