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França nomeia Goldman, desafeto de Doria, para Conselho de Educação de SP

Alberto Goldman, ex-governador de SP e nomeado para Conselho de Educação - Marcos Bezerra/Futura Press
Alberto Goldman, ex-governador de SP e nomeado para Conselho de Educação Imagem: Marcos Bezerra/Futura Press

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

27/11/2018 11h19Atualizada em 27/11/2018 12h24

O governador Márcio França (PSB) nomeou o ex-governador Alberto Goldman (PSDB), desafeto do futuro governador do estado João Doria, como membro titular do Conselho Estadual de Educação. A indicação tem validade de três anos e foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (27). 

Os membros do conselho costumam discutir medidas que padronizam ações em instituições de ensino no estado e auxiliam nas decisões e projetos desenvolvidos pela pasta através de pareceres, indicações e deliberações. O cargo não tem remuneração, segundo a Secretaria Estadual de Educação.

Goldman e Doria trocam críticas publicamente desde o ano passado, quando Goldman criticou a gestão Doria na prefeitura da capital: "Nós não temos prefeito, temos um candidato a presidente da República. (...) Diz que está trazendo alguma coisa para São Paulo; não está trazendo nada", afirmou o ex-governador, em outubro de 2017.

Doria respondeu Goldman de forma ácida: "Você é um improdutivo, um fracassado. Você coleciona fracassos na sua vida e, agora, vive de pijamas na sua casa". Na época, Doria era cotado para candidato do PSDB à Presidência, no lugar de Geraldo Alckmin, que obteve apenas 4% dos votos no pleito --o pior resultado da história do PSDB.

De lá para cá, a relação entre os dois não melhorou. Durante a campanha eleitoral deste ano, Goldman anunciou apoio a Márcio França, o que determinou o pedido de expulsão do ex-governador feito pelo diretório municipal do PSDB. A movimentação na capital gerou novo ataque de Goldman. O ex-governador também declarou apoio ao candidato petista à Presidência Fernando Haddad, enquanto o então candidato tucano ao governo pregava o antipetismo.

"[Doria] foi péssimo prefeito, não fez gestão coisa nenhuma, e além disso o caráter dele. Você pode ter divergências políticas e administrativas, mas caráter não. Ele é homem que não respeito seu caráter e sua forma de agir desde muito tempo", afirmou durante o período eleitoral à rádio Jovem Pan.

Doria rebateu novamente, o chamando de "traidor". "Trabalhou por outro candidato, utilizou propaganda de outro candidato, adesivo, camiseta, bandeira, é expulso. E vale para todos", afirmou o então candidato ao governo.

Goldman afirmou ao UOL que sua presença no cargo não deve trazer conflitos com Doria. "O conselho é um órgão independente de estado, não de governo. Ele ultrapassa o governo. O governo é passageiro, essa questão é mais profunda", afirmou.

O ex-governador também afirmou que tem uma “boa contribuição” a dar na nova função. "Foi uma sugestão feita pelo secretário de Educação. Entendi que era uma boa contribuição que eu poderia dar. Fui secretário de estado de Desenvolvimento, que está vinculado com o sistema técnico e tecnológico. Posso contribuir", complementou.

Além de Doria, o ex-prefeito de Botucatu e ex-secretário estadual de educação, João Cury Neto, expulso do PSDB por apoiar França contra Doria, também foi nomeado pelo governador do PSB a membro do Conselho de Educação.

"No entendimento do partido, ao tomar a decisão de não representar o PSDB para defender o governo de um adversário no pleito de outubro, Cury feriu os incisos III e V do artigo 15 do estatuto partidário, configurando 'irrefutável transgressão ética'", afirmou à época o presidente estadual tucano, Pedro Tobias.

Além dos dois políticos, França também nomeou ao Conselho de Educação as pedagogas Ana Teresa Gavião Almeida Marques Mariotti e Teresa Roserley Neubauer da Silva. 

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