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Bolsonaro diz que fará reuniões com "dois a três partidos" por dia

Zanone Fraissat/Folhapress
Bolsonaro participa da formatura de oficiais em Guaratingueta, no interior de SP Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

Bernardo Barbosa*

Do UOL, em Cachoeira Paulista (SP)

30/11/2018 16h16

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta sexta-feira (30) em Cachoeira Paulista (SP) que vai se reunir com "dois a três partidos por dia" na semana que vem, sem, no entanto, citar quais serão. Ele afirmou que não aceitará indicações de legendas para seu governo. "Não aceitamos ninguém por indicação de agremiação. Essa forma deu errado, levou à ineficiência do Estado e à corrupção", disse.

Segundo Bolsonaro, os eventuais nomeados para cargos serão "pessoas técnicas e capazes". "Todos os parlamentares sabem a situação em que o Brasil se encontra. Estamos mergulhados na maior crise ética, moral e econômica", afirmou.

Os encontros com as bancadas partidárias começaram a ser organizados depois que líderes de siglas da provável base aliada de Bolsonaro expressaram insatisfação com a forma com que o futuro presidente está organizando o seu governo.

O presidente eleito falou com jornalistas após conceder uma entrevista para veículos de comunicação católicos na sede da TV Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

Antes, Bolsonaro fez uma visita de cerca de 40 minutos ao Santuário Nacional de Aparecida, em parada que não estava prevista na última versão da agenda divulgada por assessores.

Mais cedo, Bolsonaro participou da cerimônia de formatura dos sargentos da EEAR (Escola de Especialistas da Aeronáutica), em Guaratinguetá, também no interior paulista.

Após reclamações de dirigentes partidários, a equipe do presidente eleito decidiu buscar aproximação das bancadas parlamentares dos principais partidos que poderão compor a base do próximo governo no Congresso.

Bolsonaro tem reuniões previstas com ao menos duas delas na próxima semana e o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), já deu início a reaproximação nos últimos dias.

O modelo de negociação política adotado por Bolsonaro para a formação do primeiro escalão tem causado desconforto entre os "caciques" dos partidos do chamado Centrão. Dirigentes ficaram de fora das conversas para a composição dos ministérios, o que foi tratado diretamente com deputados representantes de segmentos econômicos e sociais, reunidos em frentes parlamentares.

Agora, nessa reaproximação, o primeiro encontro de Bolsonaro será na terça-feira, dia 4, com o MDB, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), onde se concentra a equipe de transição. O partido de Michel Temer ganhou a nomeação de um ministro na última quarta-feira, 28, o deputado Osmar Terra (MDB-RS), para a Cidadania.

O nome do emedebista, no entanto, seguiu a estratégia bolsonarista e surgiu de uma indicação da Frente Parlamentar da Assistência Social e não do partido. A reunião de terça, no entanto, não deve servir para articulação e deverá ser apenas um espaço para Bolsonaro ouvir o partido.

Já na quarta-feira, 5, Bolsonaro conversará pela primeira vez com a bancada do PR. O encontro foi acertado na quarta-feira, 28, entre os deputados e Lorenzoni. O futuro ministro participou de uma reunião na sede do partido, onde fez um discurso para afagar os presentes, ressaltando a importância do Congresso para o Executivo e apresentando diretrizes do novo governo.

Não houve, porém, articulações sobre cargos ou questões como as presidências da Câmara e Senado. "Ele explicou como o governo deverá promover a interlocução com os deputados", disse José Rocha, líder do PR na Câmara. "Ele está convidando ex-parlamentares para compor essa interlocução".

O novo governo deve ainda realizar um encontro com a bancada do PRB, sem data definida até o momento.

Apesar da aproximação, restam agora poucas vagas no primeiro escalão e os partidos devem tentar negociar cargos nos Estados e posições no segundo escalão. Mesmo nas frentes suprapartidárias, há insatisfações.

Causou desconforto a indicação de Terra ao Ministério da Cidadania, depois que Bolsonaro ignorou as três indicações de nomes feitas pela bancada evangélica. Parte dos evangélicos defende agora que o grupo retire seu time de campo e não faça novas indicações, enquanto outros parlamentares da frente ainda querem pleitear uma das pastas restantes. "Acredito que a frente não foi feita para indicar ministros e tenho esperança de que a gente não caia mais nesse erro", afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ), membro da frente evangélica.