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Doria toma posse com cobrança a secretários e críticas ao PSDB

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

01/01/2019 10h04Atualizada em 01/01/2019 12h15

Em seu discurso de posse como governador de São Paulo, João Doria (PSDB), 61, falou em renovação na política, fez cobrança de resultados a seu secretariado e criticou seu partido, que comandou o estado por quase 23 dos últimos 24 anos. O tucano tomou posse em solenidade na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), na zona sul da capital paulista, na manhã desta terça-feira (1º).

Em sua fala, Doria defendeu uma reestruturação no PSDB, hoje presidido nacionalmente pelo ex-governador e seu padrinho político, Gerado Alckmin. Para o governador, é preciso que o estado deixe de "pensar pequeno".

"Defendo uma reestruturação no meu partido. Nós temos que ter a coragem de mudar, de sintonizar. Transformar não significa desrespeitar a história do PSDB, sobretudo aquela escrita por Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, Mario Covas, Geraldo Alckmin. Vamos ajudar o PSDB a estar sintonizado com o novo Brasil"

Os tucanos foram eleitos para o comando do estado há 24 anos --com gestões de menos de um ano de Claudio Lembo (DEM), entre 2006 e 2007, e Márcio França (PSB), em 2018, no período.

Em tom semelhante ao adotado na campanha, Doria enfatizou a "missão de renovar a política", mas evitou refutar, como na sucessão municipal, o aspecto político do cargo: "O recado das urnas foi claro: não há mais espaço para governos dos políticos. É preciso governar com os políticos, para o povo. É o que farei. A velha política, das mordomias, do cabide de empregos, da troca de favores, do desperdício do dinheiro público não cabe nesse sentimento da mudança", discursou.

"São Paulo vai mudar, agora tem comando", enfatizou.

A equipe do governador recém-empossado tem sete nomes do governo Michel Temer (MDB) --entre os quais, o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal, mês passado, ante a suspeita de pagamentos irregulares por parte da JBS, de 2010 a 2016. Kassab nega qualquer irregularidade. Ele não compareceu à cerimônia.

Transmissão de cargo no Palácio

Após a cerimônia na Alesp, presidida pelo presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), a nova equipe seguiu para o Palácio dos Bandeirantes, onde foi feita a transmissão de cargo entre o novo governador e o que deixa o posto, Márcio França (PSB), derrotado por Doria no segundo turno da eleição de outubro.

À tarde, Doria viaja para Brasília, onde participará da cerimônia de posse de Jair Bolsonaro (PSL), a quem colou sua imagem durante a campanha estadual.

Doria deixou a prefeitura em abril do ano passado, com pouco mais de um ano e três meses de mandato.

"Defendo que as mudanças comecem com cada um, com pequenos gestos e grandes atitudes. Por isso, defendo uma reestruturação do meu partido. Transformar não significa desrespeitar a história do PSDB, sobretudo a que foi escrita por Montoro, Fernando Henrique, Covas, Serra e Alckmin", defendeu.

A seus secretários estaduais e dirigentes de autarquias, sugeriu: "Além de probos e honestos, deverão ser altamente eficientes e criativos -- e se não forem, serão trocados. Simples assim".

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