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Política

PF diz que não quer tirar direitos e lembra de confusão na prisão de Lula

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

31/01/2019 11h38Atualizada em 31/01/2019 13h13

O superintendente da PF (Polícia Federal) no Paraná, delegado Luciano Flores de Lima, afirmou nesta quinta-feira (31) que questões de segurança e dificuldades envolvendo o processo de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em abril do ano passado, pesaram na rejeição ao pedido para que ele acompanhasse o velório de seu irmão Genival Inácio da Silva, conhecido como Vavá, em São Bernardo do Campo (SP). 

Lula está preso na sede da PF em Curitiba. Ele se entregou para cumprir pena no processo do tríplex mais de um dia após o prazo estipulado pela Justiça. Na ocasião, o petista ficou no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, antes de decidir se entregar. Militantes e apoiadores tentaram impedir Lula de deixar o local.

O superintendente lembra que foi necessária ajuda da Polícia Militar de São Paulo no processo de prisão de Lula. "Vocês viram a dificuldade que é tirar alguém de um local cercado por uma multidão, que por uma razão ideológica não quer que uma medida judicial seja cumprida", comentou nesta quinta-feira (31).

Lima diz que, desde que houve o pedido da defesa de Lula para acompanhar o velório, a PF estudou a logística para levar o ex-presidente à cidade da Grande São Paulo. Ele afirma que, à PF, coube analisar os riscos desse transporte e citou a convocação por parte de lideranças do PT para um ato durante o velório, que foi realizado na quarta-feira (30).

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, autorizou a ida de Lula quinze minutos antes do horário marcado para o sepultamento, que foi realizado sem a presença de Lula. O ex-presidente decidiu não ir a São Paulo após a decisão de Toffoli.

O superintendente da PF (Polícia Federal) no Paraná, delegado Luciano Flores de Lima, deu esclarecimentos sobre o pedido de Lula para ir a velório - Eduardo Matysiak/Estadão Conteúdo - Eduardo Matysiak/Estadão Conteúdo
O superintendente da PF (Polícia Federal) no Paraná, delegado Luciano Flores de Lima, deu esclarecimentos sobre o pedido de Lula para ir a velório
Imagem: Eduardo Matysiak/Estadão Conteúdo

O superintendente disse que, quando se é dada uma missão à PF, é preciso ver responsabilidade para cumpri-la. E que, com a convocação de militantes para "irem até o local onde será feito um evento político", era esperada uma multidão, previam-se dificuldades para garantir a segurança de todos não apenas no cemitério, mas durante todo o deslocamento. 

"Não estamos aqui contra ninguém, não estamos aqui querendo prejudicar a imagem de qualquer pessoa ou o direito de qualquer pessoa. Pelo contrário. As instituições, o Poder Judiciário como um todo, está para garantir direitos", comentou o superintendente. "A Polícia Federal está para garantir os direitos e não para ceifar os direitos."

Não se trata de questão ideológica, não é isso. São instituições públicas que estão há muito tempo aqui demonstrando a sua imparcialidade, o combate à corrupção

Luciano Flores de Lima, superintendente da PF no Paraná

Para o superintendente, parece óbvia, nesse caso, "a dificuldade e a responsabilidade do Estado como um todo para garantir um direito de alguém que está preso de ir até o velório ou enterro de um parente". "Pode ser feito não significa que deve ser feito. Cada caso deve ser analisado", pontuou, lembrando a justificativa dada pela Justiça para também negar os pedidos.

A decisão da Justiça Federal, na primeira e segunda instâncias, e da PF contra a ida de Lula ao velório foi criticada por apoiadores do ex-presidente. O superintendente, porém, disse não entender a "polêmica" envolvendo a questão. "Não dependia da boa vontade de ninguém. Não havia condições logísticas", comentou.

Lima disse desconhecer casos de presos que tenham sido autorizados a comparecer a velórios de parentes em outros estados, "utilizado uma aeronave e gastos públicos milionários para leva-lo a outro estado, onde houvesse uma militância". "Eu não conheço na história do Brasil que isso tenha acontecido", disse. Curitiba está a cerca de 450 quilômetros de distância de São Bernardo.

O superintendente também rejeitou a possibilidade de se utilizar uma aeronave particular para fazer o transporte do ex-presidente. Os veículos aéreos da PF estariam sendo usados no auxílio ao trabalho na tragédia de Brumadinho (MG). 

"Imaginem se usássemos uma aeronave particular, emprestada por alguém que a gente não sabe quem, conduzida por um piloto que a gente não sabe quem, que a gente não sabe o que tá passando na cabeça, que vai conduzir um ex-presidente da República, com policiais federais armados, para onde? Quem garante que ele vai para o destino que deveria ir?", questionou.

Corpo de irmão de Lula é sepultado em São Bernardo do Campo (SP)

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