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Após dizer que não revelaria voto, Flávio volta atrás e apoia Alcolumbre

O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no  plenário do Senado (1.fev.2019) - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) no plenário do Senado (1.fev.2019) Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

02/02/2019 16h40Atualizada em 02/02/2019 18h26

Após declarar que não iria abrir seu voto na eleição para a presidência do Senado, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) voltou atrás e afirmou, neste sábado (2) no plenário da Casa e em postagem em sua conta no Twitter, que apoia a candidatura de Davi Alcolumbre (DEM-AP) para o posto. 

Após a declaração de Flávio Bolsonaro, Renan Calheiros se irritou, subiu à tribuna e anunciou que se retiraria da disputa

O recuo e abertura do voto veio cerca de uma hora depois de ter afirmado que não abriria o voto em suas redes sociais, onde recebeu uma avalanche de críticas de seus seguidores. 

O senador, que é filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), primeiro recusou-se a declarar em quem votaria para a presidência do Senado. A eleição acontece neste sábado (2)

No Twitter, o senador havia justificado sua posição.

"Sou a favor do voto aberto, mas nessa ocasião específica, por ser filho do chefe de outro Poder, optei por não abrir meu voto, para evitar especulações com intuito de prejudicar o governo", escreveu em mensagem a seus seguidores. "Que o eleito, independentemente de quem for, apoie as pautas que o Brasil necessita", completou em postagem às 16h20, em meio à votação que definirá o comando da Casa. 

Nos comentários da postagem, boa parte dos seguidores criticou a atitude do senador eleito pelo Rio de Janeiro. Em vários comentários ele foi acusado de querer votar no senador Renan Calheiros (PMDB-AL) em segredo. 

Cerca de uma hora depois, às 17h35, o senador mudou de posição. "Após essa fraude na urna e para que não pairem dúvidas, declaro meu meu voto em Davi Alcolumbre para presidência do Senado", publicou no Twitter, após declarar o mesmo no Senado. 

A votação para a presidência da Casa teve de ser reiniciada após, durante a contagem dos votos, terem sido constatados 82 votos na urna. O Senado possui 81 parlamentares.

Flávio Bolsonaro chega ao Senado apagado após mostrar enorme força política durante e logo após as eleições no ano passado.

Envolvido em uma investigação do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sobre depósitos bancários suspeitos de um assessor seu na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Fabrício Queiroz, descobertos pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o senador encontra-se politicamente fragilizado e moderou o discurso. 

Antes das revelações do Coaf, depois das eleições, Flávio critou o senador Renan Calheiros e chegou a dizer que ele não tinha nada mais a oferecer ao país.

A recusa em declarar o voto na eleição para o comando da Casa e o posterior apoio a Alcolumbre acontecem em um momento em que seu pai foi muito criticado por telefonar para Renan e dar-lhe parabéns por ter conseguido a indicação do MDB para ser candidato à presidência do Senado.

Após a repercussão negativa do telefonema, Bolsonaro telefonou para os outros candidatos ao comando da Casa também e reafirmou que não tem candidato na disputa.

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