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Carlos Bolsonaro adota silêncio e apoia CPI do PSOL na volta à Câmara RJ

15.fev.2019 - Carlos Bolsonaro participa de sessão de abertura da Câmara no Rio - Gabriel Sabóia/UOL
15.fev.2019 - Carlos Bolsonaro participa de sessão de abertura da Câmara no Rio Imagem: Gabriel Sabóia/UOL

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

22/02/2019 14h42

Em meio a notícias que o apontaram como pivô da crise que culminou na demissão do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC) reassumiu o seu posto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro na última sexta-feira (15), quando aconteceu a primeira sessão da Casa no ano legislativo de 2019.

Passada uma semana da volta das férias, o filho do meio de Jair Bolsonaro (PSL) acumulou passagens "relâmpago" pelo plenário e não subiu única uma vez ao palanque da Câmara para discursar, preferindo se manifestar pelo Twitter em relação à sua atuação legislativa e ao mandato do pai. Em sete dias, foram 42 postagens.

Cortejado por aliados e opositores nos primeiros dias de trabalho, Carlos --apontado como o filho mais próximo do presidente-- foi contrário à principal matéria debatida na semana pelos vereadores da capital fluminense [a criação de um Fundo Municipal de Cultura] e não se manifestou publicamente quanto à destinação orçamentária proposta ontem pelo Executivo.

Em ato considerado inusitado, foi favorável à criação de uma CPI das Enchentes, proposta por Tarcísio Motta (PSOL).

"O Carlos raramente se envolve em debates no plenário como se manifesta nas redes sociais, tanto em relação às questões administrativas da cidade, quanto em relação às pautas ideológicas que surgem no plenário. Mas ele nunca se recusou a cumprimentar a oposição ou ouvir um pedido de CPI, por exemplo. Na ocasião desta assinatura, apresentei o requerimento e ele assinou, simplesmente. Ainda convenceu o Ítalo Ciba (Avante) a assinar, apesar de discordar de tudo o que eu penso. Difícil não é dialogar com ele, mas vê-lo em reuniões ou na tribuna do plenário", alfineta Tarcísio.

Aberta na semana passada, a CPI das Enchentes pretende apurar as consequências sociais, ambientais e econômicas causadas pelos temporais que atingiram o Rio neste mês e deixaram ao menos seis mortos. As responsabilidades do poder público na prevenção, mitigação dos efeitos e atendimento aos atingidos também serão levantadas, segundo Tarcísio.

Carlos também foi favorável à concessão da Medalha Pedro Ernesto ao vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão (PRTB). Depois de assinar o pedido feito pelo vereador Jimmy Pereira (PRTB), Carlos postou o documento assinado em seu Twitter. 

Nos quatro dias de votações, o filho do presidente não permaneceu durante todo o tempo de debates e proposições no plenário.

Na sexta passada, ele se retirou 15 minutos depois de assinalar presença na sessão. Na terça-feira (19), a presença dele no local durou cerca de 40 minutos. Na quarta-feira (20), ele permaneceu por mais de 40 minutos sentado. Ontem, Carlos esteve por mais de uma hora no plenário e acompanhou tanto os debates quanto a vetos.

No entanto, em todos os dias, Carlos esteve na Sala Inglesa da Câmara --anexo ao plenário, onde parlamentares articulam alianças e alinham votações. Como o local tem acesso restrito, é impossível saber a que horas ele entrou e saiu.

No Twitter: Carlos se divide entre seu mandato e o do pai

Avesso a entrevistas à mídia tradicional, Carlos não se manifestou quanto aos áudios vazados que comprovaram os contatos entre Bebianno e Jair Bolsonaro no hospital, que desmontaram postagem feita por ele, dias antes no Twitter, dizendo que havia passado o dia ao lado do pai e que os dois não haviam se comunicado.

Na última terça, dia do vazamento dos áudios, Carlos usou a sua conta no Twitter para comemorar a ajuda humanitária anunciada pelo governo brasileiro à Venezuela.

"Ajuda humanitária à Venezuela: o Brasil fazendo sua parte de principal país da América do Sul. Há prioridades em nosso território e estão sendo cumpridas, entretanto não podemos esquecer que por muito pouco não nos tornamos aliados da ditadura venezuelana em caso de vitória do PT", postou.

Temas cotidianos também dividiram as postagens do vereador com explicações e posicionamentos quanto à sua atuação parlamentar. Carlos explicou, por exemplo, o porquê de ter assinado a proposta de CPI das Enchentes.

"Assinamos a CPI das Enchentes devido a fato público de que recursos para combate à contenção de encostas no Rio de Janeiro vinham sendo reduzidos drasticamente, mesmo diante de sabidas catástrofes", argumentou ele, que também falou sobre o posicionamento contrário ao Fundo Municipal de Cultura. 

"Hoje a Câmara de Vereadores se debruçou o dia inteiro em um projeto de lei que cria a lei Rouanet municipal. Emendas tentavam anular a caracterização de gênero como cultura e muitos outros pontos. A sessão chegou ao fim sem a primeira votação! Somos CONTRA do jeito que está!", escreveu.

Carlos também aproveitou as redes sociais para comemorar um encontro com a mãe e um "rango" feito por ela, além de opinar em relação ao caso de uma mulher agredida por quatro horas na Barra da Tijuca, zona oeste carioca, por um estudante de direito. "Se esta senhora tivesse como se defender, e fosse de sua vontade, uma arma de fogo legal resolveria justamente este absurdo."

Na manhã de hoje, Carlos postou uma selfie em seu gabinete.

Há mais de um ano sem discursar

Carlos Bolsonaro, 36, foi o vereador mais votado da capital fluminense nas últimas eleições. Dono de 106.657 votos, ele completa em 2019 a maioridade na Câmara Municipal do Rio. Eleito pela primeira no ano 2000, aos 17 anos --o mais jovem vereador da cidade--, Carlos assumiu o mandato em 2001. Este, portanto, é o seu quinto mandato.

Apesar das seguidas votações expressivas, ele apresenta uma atividade considerada modesta no legislativo municipal. Com raros pronunciamentos, Carlos não sobe ao púlpito do plenário desde 2017, quando se manifestou em relação a um projeto de sua autoria, que previa penas mais rígidas para autores de pichações em instalações da cidade.

No ano passado, Carlos não apresentou nenhum projeto de sua autoria. No atual mandato, foi coautor de dois projetos --um sobre o Plano Municipal de Educação e outro para declarar a família Gracie [difusora do jiu-jitsu no Brasil] patrimônio cultural de natureza imaterial do Rio.

Em 2018, o filho de Bolsonaro se licenciou por três vezes dos trabalhos legislativos. Os afastamentos somaram 120 dias e coincidem com o período em que ficou responsável pela comunicação da campanha do pai à Presidência.

Em dezembro, quando a última licença já havia vencido, Carlos faltou por três vezes, de acordo com o Portal Transparência da Câmara. Se levado em consideração todo o ano passado, o vereador faltou a oito ocasiões e abonou quatro ausências.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, Ítalo Ciba é vereador pelo Avante
Diferentemente do que informou a matéria, Carlos Bolsonaro está em seu quinto mandato como vereador do Rio de Janeiro. A informação foi corrigida.

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