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"Nunca será esquecido", diz Gleisi sobre proibição de entrevistas de Lula

Marcelo Justo/UOL
7.abr.2018 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursa em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, na Grande São Paulo Imagem: Marcelo Justo/UOL

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

2019-04-19T19:06:14

19/04/2019 19h06

A decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, de liberar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a dar entrevistas dentro da prisão, foi classificada por petistas ouvidos pelo UOL como o cumprimento de um direito do ex-presidente.

Para eles, Lula sofreu censura ao ser impedido de conceder entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" por uma liminar do ministro Luiz Fux, em setembro do ano passado. A decisão passou a valer para todos os veículos de comunicação que solicitassem entrevista com o ex-presidente.

A autorização para que Lula conceda entrevistas veio ontem, após o ministro do STF Alexandre de Moraes revogar a censura imposta por ele próprio a dois sites de notícia que haviam publicado reportagens sobre Dias Toffoli.

A ordem de Moraes para que os sites retirassem as reportagens do ar recebeu duras críticas, entre elas de entidades de juristas e do Ministério Público, e gerou desgastes dentro e fora do STF.

"Isso nunca será esquecido, mesmo no momento em que aquela decisão [de Fux, proibindo as entrevistas] é revogada em reconhecimento à liberdade de imprensa e aos direitos de Lula", afirmou, em nota, a deputada e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Para Gleisi, o "maior prejudicado" com a censura imposta a Lula "foi o povo brasileiro, impedido de ouvir seu maior líder no auge do processo eleitoral".

À época, o PT já havia substituído a candidatura de Lula para a disputa pela Presidência da República --o petista foi considerado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com base na Lei da Ficha Limpa. Condenado em segunda instância no caso do tríplex, ele cumpre pena na sede da Polícia Federal, em Curitiba, desde abril de 2018.

Em seu lugar, quem assumiu a disputa pelo Planalto foi o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), que foi derrotado, no segundo turno, por Jair Bolsonaro (PSL).

Líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) corroborou a tese de que a proibição para que Lula concedesse entrevistas na prisão "foi uma atitude política para manter o isolamento em que ele se encontra".

Pimenta também criticou o que classificou como falta de repercussão dos "grandes jornais" em entender a proibição como censura e defendeu a necessidade de uma legislação sobre abuso do poder.

"Nós temos defendido há muito tempo a necessidade de uma legislação no país sobre abuso do poder. Há a necessidade de definição clara do papel do Ministério Público, da polícia", disse.

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