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Moro defende ação da Lava Jato ao interferir na Venezuela: "É sério isso?"

2.jul.2019 - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em audiência na Câmara dos Deputados - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
2.jul.2019 - O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, em audiência na Câmara dos Deputados Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Talita Marchao*

Do UOL, em São Paulo

07/07/2019 10h31Atualizada em 07/07/2019 15h13

Em post publicado no Twitter hoje, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, defendeu a suposta articulação da Operação Lava Jato para expor dados sigilosos sobre as delações da construtora Odebrecht na Venezuela, conforme mensagens divulgadas pelo site Intercept Brasil e pelo jornal Folha de S. Paulo. "(...)Supostas discussões para tornar públicos crimes de suborno da Odebrecht na Venezuela, país no qual juízes e procuradores são perseguidos e não podem agir com autonomia. É sério isso?", disse Moro na postagem, apesar de publicamente não reconhecer a autenticidade das mensagens.

Segundo a reportagem publicada hoje pelos dois veículos, a a Procuradoria-Geral da República e a força-tarefa de Curitiba tinham o objetivo de favorecer a oposição na Venezuela e "contribuir na luta contra a injustiça", mesmo que a exposição de informações envolvendo a corrupção dos governos de Hugo Chávez e seu herdeiro político, Nicolas Maduro, não tivesse efeitos jurídicos.

Em delações, a construtora Odebrecht admitiu aos procuradores ter pagado propinas em 11 países, incluindo a Venezuela, para viabilizar negociações. As informações reveladas pela delação eram mantidas em sigilo por ordem do Supremo Tribunal federal (STF).

As mensagens citam a visita da ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Días, ao Brasil em 2017, que manifestou sua disposição em colaborar com as investigações. Em reuniões em Brasília, a opositora de Maduro o acusou de ter sido beneficiado pelo esquema de corrupção que envolvia agentes públicos do país e a empreiteira. A reportagem não deixa claro quem teria vazado o conteúdo para os opositores venezuelanos ou para quem o conteúdo teria sido vazado. Mas, meses depois da visita de Ortega, ela publicou em seu site um vídeo em que um ex-diretor da Odebrecht diz que financiou campanhas em eleições na Venezuela.

23.ago.2017 - A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, com o ex-procurador-geral Rodrigo Janot durante visita ao Brasil em 2017 - Evaristo Sá/AFP/Arquivo
23.ago.2017 - A ex-procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega, com o ex-procurador-geral Rodrigo Janot durante visita ao Brasil em 2017
Imagem: Evaristo Sá/AFP/Arquivo

Nas imagens, Euzenando Prazeres de Azevedo, que foi presidente de Odebrecht na Venezuela, confirma ter bancado a campanha do dirigente chavista Diosdado Cabello (PSUV, partido de Chávez e Maduro) nas eleições regionais de 2008 ao governo do estado Miranda, e a campanha presidencial do próprio Maduro após a morte de Chávez.

Após a publicação de Ortega, a Odebrecht entrou com uma reclamação no STF para impedir a divulgação de mais informações da delação premiada que estavam sob sigilo. A defesa da empreiteira argumentou que o vazamento contrariava a decisão do ministro do STF Edson Fachin, que assegurou o sigilo de documentos derivados da colaboração premiada.

A Venezuela é o país que mais recebeu propina da Odebrecht depois do Brasil, segundo as delações que fazem parte das investigações no Brasil. A construtora teria distribuído na Venezuela cerca de US$ 98 milhões (cerca de R$ 308 milhões) em propina, entre 2006 e 2015, para funcionários do governo venezuelano a fim de garantir contratos de obras públicas.

*Com agências internacionais

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