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Deputado do PT pede à PGR retenção do passaporte de Deltan Dallagnol

07.mai.2018 -O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol - Tomaz Silva/Agência Brasil
07.mai.2018 -O procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

17/07/2019 15h05

O deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou um requerimento ontem na PGR (Procuradoria-Geral da República) solicitando a retenção do passaporte do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil revelou mensagens trocadas entre Dallagnol e o então juiz Sergio Moro. Os diálogos sugerem que o agora ministro da Justiça e Segurança Pública orientou as investigações da operação Lava Jato em Curitiba, o que não é permitido. Os envolvidos negam irregularidades e não confirmam a autenticidade das mensagens.

Correia já havia protocolado o mesmo pedido na Comissão de Direitos Humanos da Câmara na última segunda-feira. Ao contrário de Moro, que já prestou esclarecimentos na Câmara e no Senado sobre as mensagens, o procurador recusou convite para falar aos parlamentares.

"Dallagnol tem tempo para responder a órgãos de imprensa, mas não demonstra boa vontade para falar com parlamentares, o que afronta a democracia. Acusações são cada vez mais graves, precisamos da garantia de que ele não poderá deixar o país, como aliás fez o Moro sábado", disse o deputado em uma rede social. O ministro da Justiça pediu licença do cargo por 5 dias.

Ontem, Deltan e outros membros da Lava Jato no Paraná se reuniram com a procuradora-geral da República Raquel Dodge em Brasília. A PGR não divulgou o teor exato da conversa de Dodge e os procuradores, mas disse que os vazamentos foram abordados e manifestou apoio à força-tarefa.

Após o encontro, Dodge divulgou uma nota dizendo que "o apoio institucional, financeiro e de pessoal ao combate à corrupção e ao crime organizado, para que a Força-Tarefa da Lava Jato cumpra com integridade seus objetivos, continuará, permitindo que o patrimônio público seja preservado e que a honestidade dos administradores prevaleça".

Reportagem publicada pela Folha no último domingo mostra que Deltan utilizou seu prestígio perante a opinião pública, decorrente de sua atuação na Lava Jato, para especular sobre a criação de uma empresa que visava lucrar com palestras e congressos. Por lei, servidores públicos da União não podem participar de qualquer atividade que envolva a gerência de uma empresa privada.

Além da constituição da empresa -- que não foi consumada -- as mensagens apontam que Deltan utilizava duas funcionárias do Ministério Público Federal para tratar de assuntos pessoais referentes às palestras realizadas pelo procurador.

O UOL procurou Deltan para comentar o pedido de retenção do passaporte e aguarda retorno.

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