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Operação Lava Jato


Lancha luxuosa de Cabral e sítio de operador encalham em leilão no Rio

Marina Lang

Colaboração para o UOL, no Rio

18/07/2019 16h01Atualizada em 18/07/2019 17h29

Alienados pela Operação Lava Jato, tanto a luxuosa lancha Manhattan Rio, que pertencia ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), quanto o sítio de Carlos Miranda --apontado pela operação como o principal operador de Cabral-- não foram vendidos em leilão que aconteceu hoje na sede da Justiça Federal, na região central da capital fluminense. Ambos os bens não tiveram lances.

Foram arrematados duas moto aquáticas chamadas Spirit of Brazil, pertencentes a Eike Batista, por R$ 43,5 mil e R$ 50,6 mil; e um jet boat chamado Thorolin (uma fusão dos nomes dos filhos de Eike, Thor e Olin), por R$ 47 mil. No mesmo leilão, foi arrematado um veículo Pajero 2014/2015 blindado por R$ 124 mil --seu antigo proprietário, também envolvido na Lava Jato, não foi identificado.

O lance mínimo para a embarcação de Cabral era de cerca de R$ 2,3 milhões. O modelo Ferretti 80 Luxury é de 1997, tem 80 pés, quatro suítes, sala, bote com motor e capacidade para 23 passageiros, além de possuir diversos eletrodomésticos em seu interior.

Já o sítio pedia um lance mínimo de cerca de R$ 2,2 milhões. O terreno da propriedade tem por volta de 51,30 hectares, terras de cultura e pastagem, casas, área de lazer, piscina, lagos, curral, capril, alambique, tanques e galpão. Reportagem do Fantástico, da TV Globo, mostrou que o sítio foi saqueado no final de junho. Portas, janelas e eletrodomésticos foram levados.

Os itens voltaram à segunda fase de leilão, realizada hoje, com desconto de cerca de 20% do valor de lance mínimo em relação ao último pregão, ocorrido em 4 de julho. Agora, os itens que não receberam ofertas serão reavaliados pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, que julga os processos da Lava Jato na 1ª instância.

"Vamos sugerir ao juízo uma reavaliação dos bens. Segundo estudos nossos, os valores estão um pouco acima do mercado. Se o juízo reavaliar, vamos trazer para um próximo leilão", explicou ao UOL o leiloeiro Renato Guedes.

Em outros leilões da Lava Jato no Rio, bens milionários de réus foram vendidos. É o caso da mansão de Sérgio Cabral em Mangaratiba, na costa verde fluminense, arrematada por R$ 6,4 milhões em setembro de 2018, e de um apartamento de alto padrão na praia da Barra da Tijuca, que pertencia ao operador Ary Filho, vendido por R$ 9 milhões.

O iate Intermarine 680 Spirit of Brazil e a Lamborghini --que pertenciam ao empresário Eike Batista, que também foram alienados pela Lava Jato e que encalharam no leilão do dia 4 de julho--, foram vendidos em leilão na semana passada, no contexto de um processo anterior à operação conduzida pelo MPF (Ministério Público Federal) do Rio.

O veículo de luxo foi arrematado à vista por R$ 1,4 milhão. Já a embarcação saiu por R$ 1,9 milhão em prestações. O leilão foi realizado por determinação da juíza Rosália Monteiro Figueira, da 3ª Vara Criminal da Justiça Federal, em ação de 2014 na qual Eike é réu por manipulação do mercado de ações da petroleira OGX.

Cabral com pena de 198 anos e Eike preso em casa

Preso em novembro de 2016 na Operação Calicute, Cabral já foi condenado em oito ações, que somam penas de mais de 198 anos de prisão.

Já Eike foi preso em janeiro de 2017 na Operação Eficiência, também desdobramento da Lava Jato no Rio. O empresário foi condenado por pagar propina a Cabral em troca de vantagens em investimentos no estado. O processo resultou na condenação de ambos em primeira instância, e o empresário recebeu do juiz Bretas pena de 30 anos de prisão.

A sentença ainda será avaliada pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região). O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes concedeu a Eike prisão domiciliar em 2017.

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