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Maia: 'Bolsonaro é produto de nossos erros, e a pergunta é: onde erramos?'

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), durante evento mais cedo também em SP - AMANDA PEROBELLI/  	REUTERS
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), durante evento mais cedo também em SP Imagem: AMANDA PEROBELLI/ REUTERS

Beatriz Montesanti

Do UOL, em São Paulo

08/08/2019 20h47

O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou na noite de hoje o presidente Jair Bolsonaro (PSL), a quem chamou de "produto de nossos erros".

"A pergunta é onde nós erramos", questionou Maia durante um evento da Fundação Lemann, em São Paulo.

Segundo o deputado, Bolsonaro era um "produto sem partido", que se aproveitou dos movimentos de rua de 2013 e da disputa de valores que se seguiu.

Maia também disse que Bolsonaro conseguiu representar "algo fora do Estado", na onda da rejeição à política provocada pela operação Lava Jato.

Para ele, no entanto, Bolsonaro não era a figura que a operação esperava conduzir à presidência. "A Lava Jato foi decisiva [para a eleição de Bolsonaro], mas o nome dela [da operação para a presidência] não era Bolsonaro. Eles só não conseguiram construir algo no lugar."

Ao comentar qual seria "o nome da Lava Jato", Maia declarou:

"Não acho que Moro apoiou ele [Bolsonaro] no primeiro turno. Hoje estou cada vez mais convencido de que não".
Rodrigo Maia

A mediadora da fala, Malu Gaspar, reagiu com um grito, e o governador do Maranhão, Flavio Dino, emendou uma piada - livrando Maia de finalizar a declaração.

Ao final, o presidente da Câmara ponderou: "Mas é o que temos até 2022. Cabe aos outros poderes, no que entender que passou do limite, gerar o limite e a agenda que tenha mais convergência no Brasil".

Secretário de Bolsonaro no evento

Na mesma mesa de Maia, estava presente um secretário do governo Bolsonaro, Salim Mattar, da Secretaria Especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia.

Também ouviram a fala Alessandro Molon (PSB-RJ) e o governador do Maranhão, Flávio Dino.

Em sete meses de governo, Maia e Bolsonaro acumulam um histórico de ondas de trocas críticas públicas, seguidas por compromissos de reconciliação.

O encontro reuniu pessoas que passaram por um dos programas da Fundação Lemann, no geral, voltados para gestão pública e impacto social. Esse é o primeiro ano que o encontro acontece desde que alguns de seus membros entraram também para a política, como é o caso dos deputados Tabata Amaral (PDT-SP), Felipe Rigoni (PSB-ES) e Tiago Mitraud (Novo-MG) - que acompanhou a mesa da plateia.

Trocas de farpas

Pela manhã, Bolsonaro elogiou o presidente da Câmara a jornalista: "Parabéns ao Rodrigo Maia, ao parlamento, pela responsabilidade de votar um tema que traz de certa forma um prejuízo político", em referência ao avanço da reforma da Previdência - aprovada na Câmara ontem e encaminhada ao Senado.

E Maia, em outro evento em São Paulo, afirmou que algumas propostas pautadas pelo presidente da República não deverão ser aprovadas na Câmara.

"Tirar exame de droga, não dá, isso vai perder. Questão da cadeirinha, vai perder", afirmou Maia.

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