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Operação Lava Jato


MPF denuncia dono da cervejaria Petrópolis por lavagem de US$ 3,6 milhões

Walter Faria é dono do Grupo Petrópolis, que fabrica a cerveja Itaipava e outros rótulos - Luiz Carlos Murauskas-24.mai.2005/Folhapress
Walter Faria é dono do Grupo Petrópolis, que fabrica a cerveja Itaipava e outros rótulos Imagem: Luiz Carlos Murauskas-24.mai.2005/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

04/09/2019 15h20Atualizada em 04/09/2019 15h58

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná (MPF/PR) denunciou o empresário Walter Faria, dono da cervejaria Petrópolis, e mais duas pessoas por 12 crimes de lavagem de dinheiro. Segundo os investigadores, os acusados teriam recebido de operadores financeiros US$ 3,69 milhões (cerca de R$ 15,14 milhões) em contas secretas mantidas na Suíça entre 2006 e 2007.

Além de Faria, um dos homens mais ricos do Brasil com patrimônio estimado em US$ 2,8 bilhões (R$ 11,5 bilhões) pela revista "Forbes", foram denunciados Vanuê Antônio da Silva Faria e Nelson de Oliveira.

A denúncia é um desdobramento de crimes já apurados em outras ações penais, nas quais que foram condenados os ex-executivos da Petrobras Nestor Cerveró, Julio Camargo, Fernando Soares, os ex-funcionários da estatal Luis Carlos Moreira da Silva e Demargo Epifânio, além dos operadores Jorge Luz e Bruno Luz.

A contratação da construção do navio-sonda Petrobras 10.000 pelo estaleiro coreano Samsung ocorreu ao custo de US$ 586 milhões (R$ 2,4 bilhões) entre 2006 e 2008. Segundo o MPF, na ocasião, Jorge e Bruno Luz atuaram junto a Fernando Soares e Julio Camargo, e ao ex-diretor Nestor Cerveró para operacionalização do pagamento de propina de US$ 15 milhões.

A nova denúncia está centrada em etapa da lavagem de dinheiro transnacional decorrente da corrupção nessa contratação. Documentos bancários obtidos na investigação apontam para o recebimento de recursos milionários, sem causa econômica legítima, em contas no exterior controladas e movimentadas pelos acusados.

Os valores remetidos pelos operadores financeiros, já condenados na operação Lava Jato, usualmente se direcionavam a funcionários da Petrobras, como Nestor Cerveró, e aos agentes responsáveis pela sua sustentação política nos cargos.

Para oferecer a denúncia, os procuradores utilizaram de provas colhidas durante a investigação, depoimentos e documentos obtidos com colaboração premiada, quebras de sigilo bancário e fiscal, relatório de Comissão Interna de Apuração da Petrobras e rastreamento de contas ocultas no exterior, que foram obtidas mediante cooperação jurídica internacional.

Sobre a denúncia, a assessoria de imprensa do Grupo Petrópolis disse que todos os esclarecimentos solicitados já foram prestados aos órgãos competentes, em diversas ocasiões.

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