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Líderes do NE planejam ir à Europa para mostrar Brasil "além de Bolsonaro"

O governador da Bahia, Rui Costa (PT) - Divulgação/Governo da Bahia
O governador da Bahia, Rui Costa (PT) Imagem: Divulgação/Governo da Bahia

Talita Marchao e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo, e colaboração para o UOL, em São Paulo

09/09/2019 14h48

Os governadores dos nove estados do Nordeste articulam uma frente diplomática em busca de investimentos internacionais. "A gente quer mostrar ao mundo que existem outros Brasis, além do Brasil do governo federal", disse o governador da Bahia, Rui Costa (PT-BA), em entrevista ao UOL durante evento em São Paulo.

Costa contou que o grupo planeja um giro pela Europa na segunda quinzena de novembro. "Nós queremos dizer que existe um Brasil diferente, que há governantes diferentes, que valorizam o meio ambiente, a diversidade humana. Mostrar que o Brasil não é essa coisa temporária que ocupa o governo federal. Ou nossa imagem sai prejudicada", disse Costa. O governador baiano lembrou que há empresas que já anunciaram boicotes a produtos brasileiros.

"Nesse incêndio que o Brasil vive, nós queremos salvar as árvores, os animais e também o povo brasileiro. O que der para salvar, vamos tentar salvar. É por isso que faremos essa agenda em novembro", disse Costa.

O governador disse que o plano é propor que os países europeus invistam na região os recursos aos quais o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) renunciou, segundo Costa. "Nós queremos estes recursos para recuperar a caatinga, a mata atlântica, margens de rios, o que eles tiverem disponível para preservação ambiental e para a área de infraestrutura", explicou.

Fazem parte do roteiro dos governadores a França, com quem o Brasil enfrenta a pior crise diplomática dos últimos anos, Alemanha, Itália e Espanha. O governador lembrou ainda que os governos europeus têm procurado os estados do nordeste em busca de parcerias.

"O Brasil não pode virar uma metralhadora giratória em que todos são inimigos", afirma Costa, citando crises diplomáticas dos últimos meses, como a que envolveu os países árabes, a Alemanha, a Noruega, a Dinamarca, o Chile a Argentina. "Daqui a pouco, não sobra ninguém para a gente conversar", afirmou.

"Queremos mostrar que tem muita gente aqui pensando diferente, e isso é importante", concluiu.

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