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Damares se emociona ao recordar estupro e se diz a favor da educação sexual

Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos - Reprodução/Jovem Pan
Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Imagem: Reprodução/Jovem Pan

Colaboração para o UOL

11/10/2019 15h40

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que se auto-intitulou como "a ministra maluquinha", compareceu hoje ao programa Pânico, da rádio Jovem Pan. A integrante do governo de Jair Bolsonaro falou sobre as polêmicas envolvendo seu nome, comemorou a queda da criminalidade e abordou a violência contra mulheres e crianças --atrelando o tema à educação sexual.

"Fui abusada. Barbaramente estuprada aos seis anos de idade. Sou vítima da violência sexual, violência contra criança. No dia que estava sendo abusada, se eu soubesse o que estava acontecendo, eu teria gritado. Mas eu nunca tinha sido orientada sobre isso. Eu vinha de um lar cristão, pais bondosos. E de repente um pastor que estava hospedado na minha casa foi meu agressor. Qual a cena para uma menina de seis anos? Um homem que eu amava, como pastor, em cima de mim me machucando. Eu não sabia o que era aquilo, se eu tivesse sido orientada com conselhos sobre como reagir eu teria gritado, eu teria me defendido", disse, emocionada.

"Então quando eu falo de educação sexual eu falo disso, nesse sentido. Da forma certa e com material correto, eu defendo isso. E já está acontecendo, já está melhorando... E ajuda também a combater a violência."

Damares ainda falou sobre o que, na visão dela, é o maior problema do país: a violência de uma forma geral. E comemorou os dados recentes.

"Os números diminuíram 22%, 23% no que se refere a homicídios. Não existe na história do mundo uma mudança tão drástica. O mundo todo se pergunta como fizemos isso. Os especialistas quebram a cabeça tentando entender. Nós mandamos um recado para os bandidos: 'Acabou a impunidade. Nós vamos para cima!'. Esse recado chegou. Os números caíram."

Azul, rosa e Frozen

A polêmica frase "meninas vestem rosa e meninos vestem azul" e a referência ao filme Frozen também foram lembradas pela bancada do programa. A questão foi minimizada pela ministra, que chamou a repercussão de "patrulha exagerada".

"Gente, naquele instante estava acontecendo um verdadeiro patrulhamento ideológico. Por exemplo, tínhamos iniciativas apontando que que não poderíamos chamar meninas de princesa no Brasil. Tínhamos no Ministério da Cultura um projeto chamado 'desprincesamento'. E com dinheiro público... E com bastante dinheiro. Eram pessoas que iam a escolas e shoppings contar histórias dizendo para meninas que elas não precisam ser princesas e nem precisam de príncipes. Não queremos a menina princesa fragilizada. Mas eles não combinavam com a família esse jogo. Os pais estavam sendo pegos de surpresa. Neutralidade na roupa, neutralidade no nome, no brinquedo... Poxa, eu quero meu quarto rosa, eu quero meu quarto azul. Por que o patrulhamento?", questionou.

"Naquele instante, eu estava dando o seguinte recado: gente, vamos deixar criança ser criança, vamos acabar com tanta briga ideológica no tema infância. A infância está sob risco no país. Chega de confusão. Menino vai vestir azul se quiser, menina vai vestir rosa se quiser. Laranja, colorido... Qualquer cor. O recado foi esse. O Estado pode intervir quando essa criança estiver sob risco, em prejuízo. Vamos viver em paz", disse.

"Sou apaixonada por Frozen, mas imagina eu levar minha menina no cinema, que eu ainda não conversei com ela sobre homossexualidade. Tinham matérias anunciando que ela voltaria ao cinema como lésbica... Nada contra. Minha crítica é simples. Faça, mas combine com a família. Avise antes o conteúdo do filme. Repito: a família precisa estar nesse processo", ressaltou. "Quem criticou à época começa reconhecer que tudo que a gente queria era uma educação de qualidade e a criança sendo criança."

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