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Caso Marielle: PSOL diz que informação que envolve Bolsonaro é "gravíssima"

Jair Bolsonaro - Adriano Machado/Reuters
Jair Bolsonaro Imagem: Adriano Machado/Reuters

Do UOL, em São Paulo

29/10/2019 21h55

O PSOL disse, em nota oficial divulgada na noite de hoje, que é "gravíssima" a informação de que um dos suspeitos pela morte de Marielle Franco teria tido entrada autorizada por Jair Bolsonaro (PSL) em seu condomínio em 14 de março de 2018, no dia do assassinato da vereadora. O partido pede para que a notícia exposta pelo "Jornal Nacional" resulte em esclarecimentos.

"A informação veiculada pelo Jornal Nacional desta terça-feira é grave. Segundo ele, horas antes do crime que vitimou nossa companheira Marielle Franco, um dos assassinos, Élson Queiróz, esteve na casa do então deputado federal Jair Bolsonaro. A informação foi obtida através do depoimento do porteiro do Condomínio Vivendas da Barra, onde vivia a família Bolsonaro", diz a nota do PSOL.

"Exigimos esclarecimentos imediatamente. O PSOL nunca fez qualquer ilação entre o assassinato e Jair Bolsonaro. Mas as informações veiculadas hoje são gravíssimas. O Brasil não pode conviver com qualquer dúvida sobre a relação entre o presidente da República e um assassinato. As autoridades responsáveis pela investigação precisam se manifestar. Exigimos respostas. Exigimos justiça para Marielle e Anderson [Gomes, o motorista da vereadora]", completou o texto.

A nota do partido foi assinada por Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL. De acordo com o "Jornal Nacional", a simples citação ao nome do presidente Jair Bolsonaro pode levar o caso a ser investigado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), devido ao foro por prerrogativa de função.

Entenda as novas informações sobre o caso

A vereadora Marielle Franco foi assassinada em março de 2018, junto ao motorista Anderson Gomes - Divulgação/PSOL
A vereadora Marielle Franco foi assassinada em março de 2018, junto ao motorista Anderson Gomes
Imagem: Divulgação/PSOL

O porteiro do condomínio onde morava Bolsonaro à época disse, em depoimento, que alguém com a voz dele autorizou a entrada de um dos suspeitos da morte da vereadora no dia do crime. Bolsonaro, no entanto, estava na Câmara dos Deputados neste dia, segundo registro de presença da Casa consultado pela reportagem da Globo. O UOL também teve acesso ao depoimento.

De acordo com o telejornal, o caderno da única portaria do Vivendas da Barra foi analisado pela polícia e apontou um visitante ao local na noite do crime. No mesmo condomínio vivia o policial militar reformado Ronnie Lessa, apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson. O suspeito teria anunciado ao porteiro que visitaria Bolsonaro, mas se direcionou para a casa de Lessa.

Horas antes do crime, às 17h10 de 14 de março de 2018, Élcio Vieira de Queiroz - outro suspeito do crime preso pelos assassinatos - chegou à portaria do condomínio e disse que ia a uma das casas que pertencem a Bolsonaro. O nome de Élcio ficou registrado no caderno, assim como o veículo no qual ele estava (um Renault Logan, placa AGH-8202). O porteiro então informa ter contatado a casa; segundo dois depoimentos, "seu Jair" liberou a entrada.

As câmeras do condomínio acompanharam o trajeto do carro de Élcio, mas seu carro foi a outro endereço, onde morava Ronnie Lessa. O porteiro afirma então que ligou para a casa do presidente da República, que teria dito saber para onde o veículo liberado estava indo. Élcio e Ronnie saíram juntos do local mais tarde.

Bolsonaro em Brasília

O presidente da República, Jair Bolsonaro - AFP
O presidente da República, Jair Bolsonaro
Imagem: AFP

Conforme registro oficial da Câmara dos Deputados citado pelo Jornal Nacional, o então deputado federal Jair Bolsonaro estava em Brasília naquela data. Registros de redes sociais reforçam o argumento.

Ao telejornal, o advogado de Bolsonaro, Frederick Wassef, contestou o depoimento do porteiro.

"Eu nego isso, é uma mentira, um erro de digitação, alguma coisa", disse Wassef. "Eu afirmo com absoluta certeza e desafio qualquer um a provar o contrário. É uma mentira, uma fraude, uma farsa, para atacar o presidente da República", acrescentou.

Ainda segundo a Globo, antes da divulgação das informações, no dia 17 de outubro, representantes do MP foram a Brasília para consultar o presidente do STF, Dias Toffoli, sem avisar juiz do caso, para perguntar se deveriam continuar com as investigações. Toffoli ainda não respondeu.

PSOL cobra esclarecimentos

Em nota, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, classificou a informação divulgada pelo Jornal Nacional como "muito grave". Além disso, a sigla à qual pertencia a vereadora exigiu esclarecimentos "imediatamente".

"O PSOL nunca fez qualquer ilação entre o assassinato e Jair Bolsonaro. Mas as informações veiculadas hoje são gravíssimas. O Brasil não pode conviver com qualquer dúvida sobre a relação entre o Presidente da República e um assassinato. As autoridades responsáveis pela investigação precisam se manifestar. Exigimos respostas. Exigimos justiça para Marielle e Anderson", comunicou.

Ouça o podcast Baixo Clero (https://noticias.uol.com.br/podcast/baixo-clero/), com análises políticas de blogueiros do UOL.

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