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Sakamoto: Bolsonaro usa fantasma para justificar projeto violento

Do UOL

29/11/2019 04h03

Nos últimos dias, integrantes da cúpula do governo encamparam discurso do presidente Jair Bolsonaro de que, em uma possível radicalização com a esquerda, a resposta do governo poderia ser dura. O ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou até mesmo a citar o AI-5, coisa que já havia sido feita pelo líder do PSL na Câmara, Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente.

Além disso, o presidente também tem se empenhado para sancionar o projeto de excludente de ilicitude agora em GLO (Garantia da Lei e da Ordem), para poder ser utilizado em manifestações sociais. O projeto isenta de punição militares e policiais que tenham se envolvido em operações de GLO. Esses agentes, que evitariam punição alegando legítima defesa, só seriam penalizados em caso de crime doloso, intencional.

"Ele está socando um fantasma para justificar a implementação de um projeto autoritário", opinou o blogueiro Leonardo Sakamoto na 22ª edição do podcast Baixo Clero. De acordo com o jornalista, a esquerda não tem esse poder de mobilização e, salvo algum acontecimento novo, não há risco de uma conflagração nas ruas, como ocorre no Chile ou na Bolívia.

"O poder de mobilização do próprio ex-presidente Lula, de grupos da esquerda, neste momento, ele é bem pequeno, por mais que a esquerda não goste de falar isso. A população, boa parte dela, está desalentada, não um desalento do IBGE, mas ela está triste, cansada. Está brigando com salários baixos, com renda decrescente, com o desemprego. Acho difícil originar um cenário como esse dos nossos vizinhos", afirmou.

A possibilidade de reduzir ou mesmo isentar de pena policiais que matam durante o trabalho foi uma das bandeiras de campanha de Bolsonaro. Para os críticos, o excludente de ilicitude pode dar imunidade para policiais e militares que matarem pessoas em serviço.

Onde mais ouvir

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