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Schelp: "Coronavírus é a maior oposição que Bolsonaro já enfrentou"

Do UOL, em São Paulo

14/03/2020 04h00

Enquanto o temor pelo novo coronavírus ganhava as manchetes pelo mundo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chamou de "fantasia" a repercussão causada pelo que foi confirmado em seguida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia. E, conforme a crise econômica no Brasil se aprofundava e o número de pacientes crescia, o presidente decidiu resgatar o assunto das eleições de 2018 sugerindo fraude e dizendo ter provas.

O coronavírus e a tentativa de mudança de foco do presidente são assuntos abordados no Baixo Clero #27, o podcast de política do UOL, que estreia nova temporada sob o comando dos jornalistas Carla Bigatto, Diogo Schelp e Maria Carolina Trevisan.

"Aconteceu tanta coisa que a gente quase está deixando para trás aquela fala do presidente Jair Bolsonaro ainda na viagem aos Estados Unidos, quando encontrou o presidente Donald Trump. O presidente da República do Brasil tirou da manga aquele questionamento a respeito do sistema eleitoral brasileiro. Ele diz ter provas de que houve fraude nesse pleito que, diga-se de passagem, o elegeu", diz Carla Bigatto (disponível no arquivo acima a partir de 22:14).

Na opinião do jornalista Diogo Schelp, na falta de uma oposição que o incomode, Bolsonaro pode ter encontrado na covid-19 uma oposição.

"Como ele não tinha resposta sobre o que estava acontecendo em relação ao coronavírus, criou um factoide que agora claramente não consegue comprovar. Pelo menos é o que a gente tem visto. É interessante porque, no fim das contas, o coronavírus se provou a maior oposição que o Bolsonaro enfrentou em seu governo até agora. Até porque a gente percebe que a oposição está até quietinha, não está precisando fazer nada porque o governo está, ou pelo menos o presidente está se afundando sozinho", afirma Schelp (disponível a partir de 22:44).

Depois da declaração do presidente, Maria Carolina Trevisan afirma que esperava alguma ação por parte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

"O presidente está acostumado com as instituições não se contraporem a ele com a mesma força que ele se contrapõe às instituições. Ele provoca, então o Tribunal Superior Eleitoral poderia, sim, ter feito mais do que uma nota. A Rosa Weber, a ministra, poderia também ter feito uma fala um pouco mais contundente em relação a isso, porque parece que ele se antecipa para o fracasso da próxima eleição e coloca aquela dúvida se vai realmente entregar o cargo se perder. Então para que isso? Para enfraquecer as instituições, para criar um factoide, para desviar o assunto, para cortina de fumaça", afirma Trevisan (disponível a partir de 23:41).

Baixo Clero está disponível no Spotify, na Apple Podcasts, no Google Podcasts, no Castbox, no Deezer e em outros distribuidores. Você também pode ouvir o programa no YouTube. Outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts.

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