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FHC critica Trump e filhos de Bolsonaro, e vê Maia como revelação

Do UOL, em São Paulo

03/04/2020 12h52

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou a relação que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estabelece com seus filhos no âmbito político. Em entrevista ao colunista Tales Faria, do UOL, FHC disse ver problemas na influência que os parlamentares têm sobre o mandato do pai.

"Três filhos dele têm votação popular. É muito ruim permitir que mídia e informantes atribuam aos filhos por atos cometidos pelo pai. Não é bom para o pai, nem para o país", disse FHC, em referência ao senador Flávio Bolsonaro, o deputado federal Eduardo e o vereador Carlos.

O ex-presidente lembrou que nos seus dois mandatos tentava não envolver sua família. "No meu gabinete, não entrava ninguém. No automóvel só entra minha mulher. Filho não é parte da cena política", completou.

FHC também deixou clara a sua reprovação ao jeito de governar do presidente norte-americano Donald Trump, principalmente neste momento de pandemia do coronavírus. "Você veja os Estados Unidos, pegue o Trump. Olha, benza Deus, melhor ele ficar por lá", comentou. "Ele diz coisas inacreditáveis".

Como contraponto, FHC vê a figura do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), como uma possível liderança nesse momento de crise pela covid-19.

"O Maia está expressando o sentimento do Congresso, está sendo o símbolo da Câmara dos Deputados. Ele toma posição quando acha necessário e fala pelo Congresso. Acho importante, o Rodrigo é um pilar", disse.

"Conheço pouco o presidente do Senado, mas está indo bem. O Supremo (Tribunal Federal) tem se comportado bem, as Forças Armadas também. São pessoas que sabem o poder que têm nas mãos, então não podem avançar muito senão desequilibra tudo", completou.

Cansado da quarentena

Sobre o atual momento de quarentena vivido por São Paulo, cidade onde reside, FHC não escondeu a sua ansiedade para que o pior passe e as coisas comecem a voltar à normalidade o mais breve possível.

"Quero que esse negócio passe logo, me dá uma aflição danada. Eu vou fazer 90 anos ano que vem, é muita idade. Que passe logo para a gente poder viver, para sentir a vida", afirmou FHC.

"Acho que cada um tem que viver com plenitude o momento que tem, e eu estou sentindo meu momento ruim, porque ele está escapando. Eu gosto de comer bem, gosto de passear, gosto de ir à Europa, à África, América Latina, gosto de fazer palestra, gosto de ter jovem perto de mim, conversando. Eu não posso, está tudo bloqueado", reclamou o ex-presidente.

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