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PGR pede inquérito ao Supremo para investigar acusação de Moro a Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro e o então ministro Sergio Moro - Mateus Bonomi/AGIF
Presidente Jair Bolsonaro e o então ministro Sergio Moro Imagem: Mateus Bonomi/AGIF

Do UOL, em São Paulo

24/04/2020 17h13Atualizada em 24/04/2020 19h29

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) hoje a abertura de um inquérito para investigar as acusações feitas pelo agora ex-ministro Sergio Moro (Justiça) contra o presidente Jair Bolsonaro de interferência na Polícia Federal.

"A dimensão dos episódios narrados revela a declaração de Ministro de Estado de atos que revelariam a prática de ilícitos, imputando a sua prática ao Presidente da República, o que, de outra sorte, poderia caracterizar igualmente o crime de denunciação caluniosa", disse Aras.

No pedido, a PGR também solicitou a tomada de um depoimento de Moro para explicar os fatos narrados durante a entrevista coletiva na qual o ex-ministro anunciou a saída do cargo.

"Indica-se, como diligência inicial, a oitiva de Sergio Fernando Moro, a fim de que apresente manifestação detalhada sobre os termos do pronunciamento, com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão. Uma vez instaurado o inquérito, e na certeza da diligência policial para o não perecimento de elementos probatórios, o procurador-geral da República reserva-se para acompanhar o apuratório e, se for o caso, oferecer denúncia", disse o procurador-geral.

Bolsonaro nega interferência

Durante o pronunciamento desta tarde, Bolsonaro se queixou da lentidão da PF, sob comando de Valeixo e de Moro, na apuração do inquérito sobre a facada sofrida pelo então candidato à presidência na campanha eleitoral de 2018. "É intervenção pedir a Sergio Moro, quase implorar, que apure quem mandou matar Jair Bolsonaro?", disse o presidente.

"A PF de Sergio Moro se preocupou mais com quem matou Marielle (Franco, ex-vereadora do Rio) do que com quem tentou matar seu chefe supremo. Cobrei muito deles isso daí, não interferi", acrescentou.

Ainda, Bolsonaro afirmou que Moro teria sido favorável à saída de Valeixo ao fim do ano, caso o presidente o indicasse a uma vaga no STF. O ex-juiz, no entanto, nega que tenha utilizado a exoneração como "moeda de troca".

Moro saiu "atirando" do governo

O ex-juiz Sergio Moro declarou que Bolsonaro trocou o comando da PF para ter acesso a investigações e relatórios da entidade, o que é proibido pela legislação.

Em um pronunciamento forte (leia a íntegra), Moro procurou se distanciar de Bolsonaro e marcar posição. Disse que a mudança como foi feita é uma interferência política do presidente na PF e que o mandatário teme inquéritos que estão sendo avaliados pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

O ex-juiz federal era o principal nome do governo Bolsonaro. Tinha popularidade, segundo o Datafolha, mais alta que a do presidente. As taxas giram acima dos 50% de aprovação, enquanto a do presidente patina abaixo dos 40%.

A saída de Moro já provoca rachas em bancadas fiéis ao bolsonarismo, como a da segurança pública (também conhecida como "da bala"). As acusações feitas pelo ministro podem encaminhar processos no Congresso e no STF —como as sobre interferência política na PF e uma possível falsidade ideológica por constar o nome do ex-ministro na exoneração de Valeixo, que Moro nega ter assinado.

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