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Witzel: 'Maior fake news de Bolsonaro foi sua própria eleição'

Do UOL, em São Paulo

04/05/2020 22h35

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), em entrevista ao Roda Viva de hoje, na TV Cultura, disse que deixou de apoiar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por não ter cumprido com o programa de governo apresentado na campanha presidencial de 2018. Witzel declarou, ainda, que a maior notícia falsa propagada por Bolsonaro foi a própria eleição.

"O presidente é mestre em criar fake news. A maior fake news dele foi sua própria eleição", afirmou o governador do Rio. "Acreditamos que ele teria mudado, que ele seria uma pessoa para liderar um projeto de renovação de nossa política econômica, do combate ao crime organizado, continuar o combate à corrupção, mas todas as medidas que o governo tomou até agora foram o contrário", acrescentou.

Algumas polêmicas envolvendo o governo Bolsonaro foram levantadas pelo governador, incluindo a saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Público e as suspeitas apontadas pelo ex-ministro de que Bolsonaro buscava interferir em investigações da Polícia Federal. Ainda, Wtizel disse que "o Coaf não está fazendo o papel que deveria fazer", em referência ao caso Queiroz, envolvendo o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro.

'Não cumpriu programa de governo'

Durante o programa, Witzel foi questionado a respeito da forma como se afastou do presidente, a quem apoiou durante a eleição e chegou, inclusive, a "pedir voto", como admitiu em uma das respostas.

"Tem que fazer alguns ajustes nas suas afirmações. Quando eu olhei o programa do candidato Jair Bolsonaro, uma das primeiras medidas que ele tomaria seria o combate ao tráfego de armas, de drogas, combate ao crime organizado e isso me chamou atenção, porque os governadores hoje enxugam gelo", declarou.

Witzel também disse que esperava uma união de ações entre a Polícia Federal e a Polícia Civil, algo que, segundo ele, não ocorreu: "Fui eleito acreditando no presidente Bolsonaro, que ele iria ajudar a integrar a Polícia Federal com a Polícia Civil para combater o tráfico de armas e de drogas, senão continuaríamos enxugando gelo, como estamos enxugando gelo. A realidade das comunidades é muito complexa porque o crime organizado usa a comunidade como escudo e quando a polícia é chamada para fazer qualquer ação, eles atiram na população local", complementou.

Witzel nega compromisso com milícias

O governador negou ter compromisso com as milícias e disse ter se colocado à disposição para ajudar a polícia no caso da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) "com conhecimentos, sem ter acesso à investigação". Ele também negou, novamente, ter quebrado uma placa com o nome da parlamentar ao lado de apoiadores de Bolsonaro.

Witzel negou ter pedido autorização para realizar campanha eleitoral em áreas dominadas pela milícia, inclusive ao lado do senador Flávio Bolsonaro, com quem dividiu o palanque. Diante do questionamento de que só é possível entrar nas áreas controladas com autorização de milicianos, o governador citou diversos locais dominados pela milícia onde fez campanha "sem pedir para entrar".

No entanto, admitiu ter evitado o acesso a determinadas comunidades após receber ameaças de criminosos.

"Nunca pedi autorização nenhuma. Nas comunidades tive dificuldade porque existia crime organizado e me disseram que eu iria ser recebido a bala. Para não expor as comunidades eu não fui para evitar qualquer tipo de insegurança para as pessoas que estavam comigo", afirmou.

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