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Bolsonaro se desculpa após mandar repórter 'calar a boca': 'Fui grosseiro'

O presidente Jair Bolsonaro fala com apoiadores e jornalistas do lado de fora do Palácio do Planalto - Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro fala com apoiadores e jornalistas do lado de fora do Palácio do Planalto Imagem: Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

05/05/2020 19h30

O presidente Jair Bolsonaro de desculpou, na tarde de hoje, por ter mandado um jornalista "calar a boca" durante pronunciamento feito pela manhã, do lado de fora do Palácio da Alvorada, em Brasília.

"Desculpa aí se eu fui um pouco grosseiro de manhã com uma senhora e um senhor aqui", disse, enquanto rebatia as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Apesar do pedido de desculpas, Bolsonaro criticou a imprensa em diversos momentos do discurso, não deu espaço para questionamentos dos jornalistas presentes e começou seu pronunciamento, por volta das 17h30, dizendo que iria embora caso os repórteres fizessem perguntas.

No início do dia, o mandatário elevou o tom, inflamou apoiadores contra os jornalistas e chegou a gritar que os profissionais deveriam "calar a boca"

"Cala a boca, não perguntei nada. Cala a boca, cala a boca. Não tenho nada contra o superintendente do Rio e não interfiro na PF", disse.

A ira decorre, segundo Bolsonaro, de uma reportagem da Folha publicada ontem. No texto, a coluna Painel, da jornalista Camila Mattoso, observa que a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro é um foco de interesse da família Bolsonaro.

Repercussão negativa

O "cala a boca" do presidente foi criticado pelos governadores João Doria, de São Paulo, e Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, que classificaram o ato como "ataque à democracia".

"Minha solidariedade aos profissionais da imprensa e aos veículos de comunicação. Hoje, em Brasília, mais uma atitude condenável de desrespeito à imprensa. Cada ameaça à liberdade de expressão atinge a democracia no Brasil. Lamentável a escalada autoritária no País", disse Dória.

"Mandar um jornalista calar a boca é tentar calar a boca da democracia. Quando você tem um cargo público relevante na sociedade você precisa responder à imprensa e não agredi-la, ofendê-la, espezinhá-la, humilhá-la", analisou Witzel.

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