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Secom usa lema associado ao nazismo para divulgar ações, mas nega relação

10.mai.2020 - "O trabalho liberta": Secom usa lema associado ao nazismo para divulgar ações contra a covid-19 - Reprodução/Twitter
10.mai.2020 - 'O trabalho liberta': Secom usa lema associado ao nazismo para divulgar ações contra a covid-19 Imagem: Reprodução/Twitter

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

10/05/2020 15h25Atualizada em 02/09/2020 09h29

A Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República usou um lema associado ao nazismo —"O trabalho liberta"— para divulgar as ações que o governo federal vem tomando para conter o avanço do novo coronavírus no País.

"Parte da imprensa insiste em virar as costas aos fatos, ao Brasil e aos brasileiros. Mas o governo, por determinação de seu chefe, seguirá trabalhando para salvar vidas e preservar o emprego e a dignidade dos brasileiros. O trabalho, a união e a verdade libertarão o Brasil", escreveu a Secom nas redes sociais.

A reportagem do UOL pediu um posicionamento da secretaria sobre a publicação e não obteve retorno. No Twitter, porém, a Secom disse repudiar "qualquer associação desta postagem com quaisquer ideologias totalitárias e genocidas" e reforçou a parceria com a comunidade judaica.

O chefe da Secom, Fabio Wajngarten, criticou a matéria publicada pelo UOL, dizendo ter havido má interpretação do texto divulgado pelo governo. "É impressionante: toda medida do governo é deformada para se encaixar em narrativas. Se utilizam de analfabetismo funcional para interpretar errado um texto e associar o governo ao nazismo, sendo que eu, chefe da Secom, sou judeu!", escreveu.

Wajngarten ainda disse abominar "esse tipo de ilação canalha", argumentando que "acusar injustamente de nazifascismo tira o peso do termo". "É a isso que se prestam alguns políticos e veículos da mídia na busca por holofotes a qualquer preço!", completou.

A frase "O trabalho liberta" ("Arbeit macht frei", em alemão) ficou conhecida por sua presença nas fachadas de diversos campos de concentração do regime nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. Em Auschwitz I (foto abaixo), por exemplo, a inscrição foi feita no portão por prisioneiros com habilidades metalúrgicas.

Auschwitz - Britta Pedersen/Picture Alliance via Getty Images - Britta Pedersen/Picture Alliance via Getty Images
Imagem: Britta Pedersen/Picture Alliance via Getty Images

Críticas à imprensa

No vídeo que acompanha a publicação, a secretaria ainda usa títulos de matérias veiculadas na imprensa —inclusive no UOL— para criticar a cobertura das ações do governo e, mais especificamente, da postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) frente à pandemia.

Até o The Lancet, um dos periódicos científicos mais respeitados do mundo, aparece no vídeo. Recentemente, a publicação veiculou um artigo sobre a situação da covid-19 no Brasil, afirmando que Bolsonaro "talvez seja a maior ameaça" ao País neste momento.

Outras referências ao nazismo

Roberto Alvim - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

Em janeiro, o então secretário especial de Cultura, Roberto Alvim, usou trechos de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha nazista, para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, novo programa de sua pasta.

Segundo ele, a premiação viria para reconhecer que a arte brasileira dos próximos anos será "heroica, nacional e imperativa", adjetivos semelhantes aos usados por Goebbels em discurso feito a diretores de teatro.

O episódio levou à demissão de Alvim. Quem ocupa o cargo agora é a atriz Regina Duarte.

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