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Impeachment: Governo Witzel conta votos e já vê afastamento temporário

25.jan.2019 - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) - Tânia Rêgo/Agência Brasil
25.jan.2019 - O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

17/06/2020 04h00

A matemática dos votos no processo de impeachment contra Wilson Witzel (PSC) mostra-se, por enquanto, desfavorável ao governador do Rio. Projeções de integrantes do primeiro escalão do governo fluminense já indicam que a missão de impedir o afastamento temporário de Witzel do cargo é "quase impossível".

Na avaliação da cúpula do Palácio Guanabara, pesam contra ele a pouca habilidade política, a falta de relacionamento com a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) e até mesmo as eleições municipais deste ano. Para o afastamento temporário de Witzel, 36 deputados devem votar pelo recebimento da denúncia —depois disso, será formado um tribunal misto de julgamento (com membros da Alerj e do Tribunal de Justiça) que decidirá pela deposição, ou não, do governador.

A definição sobre se Witzel será afastado temporariamente, ou não, deve acontecer até o final de julho.

Atualmente, as projeções feitas pela equipe do governador apontam um número que pode variar entre 25 e 32 deputados que devem se manter irredutivelmente favoráveis ao afastamento.

Nesse rol de deputados, estão integrantes de partidos de campos ideológicos diversos, como a bancada do PSOL e deputados bolsonaristas, que marcam posição firme contra o governador. Além deles, estão autores e coautores dos 14 pedidos de abertura de impeachment contra Witzel protocolados na Casa Legislativa.

A aposta em votos "reversíveis"

Em sessão realizada na última quarta-feira (10), 69 dos 70 deputados se manifestaram pela abertura do processo de impeachment do governador. No entanto, há um segundo grupo considerado "manobrável", formado por cerca de 20 parlamentares.

São deputados de partidos que ainda no governo, com direito a nomeações de cargos e, em alguns casos, secretarias inteiras. Para manter a influência na estrutura do Executivo, alguns deles poderiam rever suas posições.

É o caso, por exemplo, do DEM, que mantém Bruno Kazuhiro na Secretaria de Infraestrutura e Obras, além de contar com nomeações na Imprensa Oficial do Estado. Com quatro deputados na Alerj, as nomeações do partido podem ser usadas como barganha para mudança de votos desses parlamentares.

Em situação parecida, Witzel conta com Altineu Côrtes, do PL, como secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade. O deputado Pedro Brazão, do mesmo partido, deve ser chamado para conversar sobre a próxima votação.

A nomeação de Danielle Barros, do Solidariedade, na Secretaria de Cultura, deve ser citada em conversas com os três deputados do partido que ocupam cadeiras na Alerj. O partido também possui influência em órgãos públicos como o Proderj e o Ipem.

O PP, por sua vez, que conta com o voto do deputado Dionísio Lins no plenário da Alerj, possui influência em nomeações da Ceasa, além de ter entre os seus filiados, o secretário de Agricultura Marcelo Queiroz.

O Pros, do deputado Subtenente Bernardo, também possui sua representatividade junto à base governista, representada pelo secretário de Esportes, Felipe Bornier. A deputada Marina Rocha, do PMB, também seria um "voto reversível", diante da sua influência na Secretaria de Meio Ambiente.

A influência do MDB no Detran seria suficiente para convencer os cinco deputados do partido a "mudar de ideia". Indicações de outros deputados, de partidos variados, também devem ser revistas, caso os parlamentares não indiquem mudança de votos.

Exposição da defesa

Uma eventual distribuição de cargos no governo para reverter votos causa, no entanto, apreensão no grupo mais próximo do governador. Há o entendimento de que a oposição possa acionar a Justiça, sob o argumento de que Witzel estaria praticando uma espécie de obstrução ao processo de impeachment.

"É o que menos queremos. Deus nos livre de uma Furna da Onça 2", diz uma fonte próxima ao governador. Por isso, todos os 70 deputados devem ser convidados a conhecer os advogados de defesa e as argumentações jurídicas feitas pela equipe de Witzel.

Eleições municipais devem ter peso nos votos

Além do alto número de deputados que deve se manter irredutível pelo afastamento do governador e da dificuldade de reverter posições, outro fator é considerado um empecilho no caminho de Witzel: as eleições municipais desse ano.

Com parlamentares candidatando-se a prefeituras do Rio e com o processo de impedimento possivelmente concluído antes das eleições, paira a dificuldade de fazer com que alguns dos que optaram pela abertura do processo revejam as suas posições.

"Esse é o mais difícil. Quem vai querer essa 'vidraça' nas eleições? Os adversários vão colocar essa pecha de vira-casaca em quem vier pro nosso lado. Já pensou se o governador sai do cargo e o candidato votou pela permanência dele? Isso enfraquece demais", conclui outro aliado de Witzel.

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