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Flávio Bolsonaro depõe pela 1ª vez ao MP, mas esposa dele não comparecerá

Flávio Bolsonaro concede entrevista em que falou sobre caso Queiroz na casa de ex-mulher de Wassef - Reprodução TV Record
Flávio Bolsonaro concede entrevista em que falou sobre caso Queiroz na casa de ex-mulher de Wassef Imagem: Reprodução TV Record

Herculano Barreto Filho

Do UOL, no Rio

07/07/2020 20h50

Por teleconferência, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) prestou depoimento pela primeira vez hoje em investigação do Ministério Público que apura suposto esquema de rachadinha no seu gabinete quando ele ainda era deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio). Antes, ele só havia se manifestado por escrito.

Em nota, a defesa disse que todos os fatos foram esclarecidos. E, por isso, Fernanda Bolsonaro, esposa do parlamentar, não será ouvida. O conteúdo da audiência está em segredo de justiça e não será revelado.

"A defesa do senador reafirma que Flávio Bolsonaro não praticou qualquer irregularidade e que confia na Justiça", disse um dos trechos da nota emitida pela advogada Luciana Pires.

O MP-RJ (Ministério Público do Rio) rastreou um depósito de R$ 25 mil feito em espécie por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio preso, na conta de Fernanda Bolsonaro.

O órgão também verificou pagamentos de plano de saúde e mensalidades escolares das filhas de Flávio e Fernanda. Foram mais de cem boletos —o equivalente a cerca de R$ 260 mil — pagos em dinheiro vivo. No levantamento, o MP-RJ constatou que os pagamentos não correspondem à movimentação bancária do político e de sua esposa.

Queiroz, apontado como o suposto operador do esquema de rachadinha no gabinete de Flávio na Alerj, também fez pagamentos de ao menos dois boletos escolares das filhas do político em 1º de outubro de 2018 nos valores de R$ 3.382 e R$ 3.560, aponta a investigação. Segundo o MP-RJ, Flávio e Fernanda não fizeram saques em suas contas nos 15 meses anteriores ao pagamento feito por Queiroz, em outubro de 2018.

Ainda de acordo com a investigação, também foi possível identificar o mesmo tipo de prática em relação ao plano de saúde da família, com pagamento de R$ 108 mil em dinheiro vivo não quitados por rendimentos lícitos de Flávio e Fernanda Bolsonaro, o equivalente a 63 boletos. O MP-RJ constatou que foram debitados das contas do casal apenas R$ 8,9 mil referentes ao plano de saúde da família.

Em um trecho da decisão que fundamentou o pedido de prisão preventiva de Queiroz, o MP-RJ cita Flávio Bolsonaro como o líder do que chama de "organização criminosa". Ainda segundo a investigação, o grupo cometeu o crime de peculato ao patrimônio familiar do político.

Confira a nota encaminhada pela defesa de Flávio:

"O senador Flávio Bolsonaro foi ouvido, nesta terça-feira (7), pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O depoimento atende a pedido feito pela defesa, que quer restabelecer a verdade. O conteúdo da audiência, no entanto, está em segredo de Justiça e será preservado. Com todos os fatos esclarecidos, a esposa do parlamentar, Fernanda Bolsonaro, não prestará depoimento. A defesa do senador reafirma que Flávio Bolsonaro não praticou qualquer irregularidade e que confia na Justiça".

Entenda o caso

O parlamentar foi intimado na semana passada pelo Gaecc (Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção), que atua em processos em primeira instância.

A defesa contestou, alegando que a 3ª Câmara Criminal do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio) aceitou o pedido de foro especial apresentado pelo político e que Flávio não poderia perder o benefício.

Após a decisão dos desembargadores, o caso deixou a 1ª instância e foi remetido ao Órgão Especial do TJ. Com isso, a investigação foi encaminhada para o Gaocrim (Grupo de Atribuição Originária Criminal), unidade do MP-RJ com atribuição para investigar deputados estaduais com mandato na Alerj.

Entretanto, o MP-RJ disse que o órgão atua em apoio ao caso, nos mesmos moldes das forças-tarefas.