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Bolsonaristas provocam MBL após prisão de empresário ligado ao grupo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

11/07/2020 11h26

Representantes do bolsonarismo e apoiadores do presidente da República criaram a hashtag #DerreteMBL para provocar o Movimento Brasil Livre após a prisão de Carlos Augusto de Moraes Afonso (conhecido pelo pseudônimo Luciano Ayan nas redes sociais).

Detido ontem (10) pela Polícia Civil de SP, o homem já foi apontado como um dos gurus do MBL, embora não tenha relação formal, segundo sustentam as lideranças do grupo político.

Nas últimas horas, apoiadores de Jair Bolsonaro (sem partido) postaram e replicaram centenas de mensagens com referências ao vínculo de Ayan com o MBL.

Filho do presidente e deputado federal pelo PSL-SP, Eduardo Bolsonaro gravou um vídeo para atacar o grupo adversário e outros parlamentares.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), adotou a mesma postura. Pelo Twitter, ele alfinetou o MBL com um apelido irônico, "paladinos da verdade", e disse que o movimento sofreu "um duro golpe com a prisão de dois aliados".

Também lembrou o fato de que, durante a operação da polícia, foram apreendidas quantidades de dinheiro e drogas.

"Essa turminha é muito boa em criticar, mas, na verdade, não passam de uma quadrilha com um projeto tosco de poder", declarou.

O conteúdo publicado nas redes expõe um novo capítulo do racha na direita brasileira, que teve início em 2019 e se acirrou com o isolamento político de Bolsonaro.

O MBL apoiava o presidente e fazia parte de sua engrenagem de sustentação ideológica na internet. No entanto, atritos no Congresso Nacional entre lideranças de um lado e de outro foram, aos poucos, deteriorando a relação.

O líder do Movimento Brasil Livre, deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), já chegou inclusive a protocolar um pedido de impeachment de Bolsonaro.

Relação entre Ayan e MBL

O empresário detido ontem já participou de eventos do MBL e teve uma conta no Facebook banida pela rede social. Durante a operação, a Polícia Civil paulista também cumpriu ordem de prisão contra o empresário Alessander Mônaco Ferreira.

Embora o MBL negue que eles sejam membros do movimento, um minidoc publicado pelo UOL em 2018, dirigido por Carlos Juliano Barros e Piero Locatelli, revela a primeira vez que Luciano Ayan apareceu em público, justamente em um congresso do MBL em São Paulo (assista ao momento a partir de 01'32'' no vídeo abaixo).

"Nosso problema hoje é que a censura é a principal frente de batalha da extrema esquerda. E nós vamos ter que nos preparar para isso. E pensando em termos de guerra, uma guerra política", disse na época.

Luciano Ayan é um pseudônimo que Afonso criou para evitar a relação de sua identidade com seu ativismo político, que ficou notório quando o MBL compartilhou uma matéria falsa sobre a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) publicada pelo site Ceticismo Político, criado pelo empresário em 2017.

Em março de 2018, dez dias após o assassinato de Marielle, a página do Ceticismo Político foi derrubada pelo Facebook, que notou violação de suas normas. Até aquele momento, Ayan não havia revelado publicamente que se chamava Carlos Augusto de Moraes Afonso.

No minidoc veiculado pelo UOL em 2018, também há um registro de Ayan discursando em um acampamento do MBL em frente à sede do Facebook em São Paulo, numa ofensiva contra a rede social após o empresário ter sua conta banida (assista no vídeo abaixo a partir de 10'15'').

"O nazismo começou com esse tipo de perseguição política e censura que o Facebook está fazendo no Brasil, violando a soberania nacional", discursou, em meio aos ativistas.

Em nota, o MBL afirma que os detidos "jamais fizeram parte" do movimento. Procurado pelo UOL, o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP), um dos fundadores do MBL, também negou que eles sejam membros.

"Alessander Monaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso não são integrantes e sequer fazem parte dos quadros do MBL. Ambos nunca foram membros do movimento. Uma notícia veiculada de maneira errônea por um portal criou tal confusão", disse.

A reportagem não conseguiu ouvir a defesa dos suspeitos presos.

Assista ao minidoc:

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