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Flávio Bolsonaro diz ao MPF que Queiroz seria seu assessor no Senado

Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) deixa o prédio do Senado Federal, em Brasília, após prestar depoimento - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) deixa o prédio do Senado Federal, em Brasília, após prestar depoimento Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

01/08/2020 22h22

Resumo da notícia

  • JN repercutiu reportagem de O Globo sobre depoimento de Flávio Bolsonaro ao MPF
  • No depoimento, o filho mais velho de Jair Bolsonaro disse que Queiroz estaria com ele no Senado até hoje se nada de anormal tivesse ocorrido
  • O senador afirmou também que não é verdadeira a versão de Paulo Marinho de que ele obteve vazamento da Operação Furna da Onça

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou, em depoimento prestado ao Ministério Público Federal que, se "não tivesse acontecido nada de anormal", seu ex-assessor Fabrício Queiroz provavelmente estaria trabalhando com ele hoje no Senado.

A informação foi publicada pelo jornal "O Globo", que publicou novos trechos do depoimento de Flávio prestado ao MPF em 20 de julho. A TV Globo também teve acesso a esses trechos e os exibiu agora à noite no Jornal Nacional.

Queiroz é alvo da Operação Furna da Onça, que investiga a prática de "rachadinha" na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Suplente de Flávio Bolsonaro disse que filho do presidente foi beneficiado por vazamento

O MPF apura a denúncia do suplente do senador, o empresário Paulo Marinho, revelada pela Folha, de que houve vazamento da operação. O MP quer saber também se a demissão de Fabrício Queiroz do gabinete de Flávio Bolsonaro tem relação com o suposto vazamento.

O senador nega ter sido beneficiado por vazamento de informações e que isso tenha relação com a demissão de Queiroz.

Segundo Flávio Bolsonaro, Queiroz pediu para deixar o cargo na Alerj e o motivo teria sido a sua aposentadoria na PM do RJ.

"Quando ele [Queiroz] pediu para sair ele falou pra mim duas coisas: 'chefe, eu vou, eu tenho que fazer meu processo de passagem para a reserva da polícia militar'. Ele parece que tinha [...], quando estava à disposição na assembleia, ele tinha que retornar à corporação . Aí ele aproveitava pra cuidar da saúde dele", disse Flavio Bolsonaro durante depoimento.

Queiroz afirma que fez um tratamento para câncer.

O procurador, então, questionou o senador e filho mais velho do presidente sobre uma informação dada por Fabrício Queiroz em um depoimento.

Senador confirma que chamaria Queiroz para trabalhar em Brasília

Queiroz disse ao MPF que tinha expectativa de trabalhar em Brasília, no gabinete do senador. Flávio confirmou a informação e disse que Queiroz "sempre" foi uma pessoa da "confiança" dele.

"Expectativa era que ele viesse comigo mesmo. Sempre foi uma pessoa da minha confiança. Então, se não tivesse acontecido nada de anormal como aconteceu, ele provavelmente estaria aqui comigo hoje. Então foi assim as coisas foram acontecendo nesse cronograma, e, quando explodiu essa situação dele em dezembro, no dia 6 de dezembro, obviamente que não tinha mais clima ele vir trabalhar comigo", disse Flávio Bolsonaro em um dos vídeos divulgados pelo jornal.

O senador também confirmou a reunião na casa do empresário Paulo Marinho em 6 de dezembro de 2018, já depois da eleição do pai. A reunião ocorreu após a divulgação do relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que identificou movimentações atípicas de Queiroz, quando o investigado era assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, na Alerj.

Senador diz que procurava advogado

Ele nega, contudo, a versão de Marinho, a de que a reunião ocorreu para tratar da defesa de Queiroz.

O senador afirmou ao MPF que procurava um advogado para ele e não para Queiroz e foi o então presidente eleito que sugeriu que ele procurasse Marinho para orientá-lo.

"Foi, mas pra mim, não era nada de advogado pro Queiroz. Era uma situação que tava acontecendo, né, todo mundo, a imprensa tava atirando pedra em mim, eu tinha que me defender. Eu tinha que buscar um advogado. Foi nessa intenção que... porque o Paulo Marinho, eu sempre, eu tinha a percepção que era uma pessoa bem relacionada no mundo jurídico. Então, fui consultá-lo, se ele tinha uma pessoa pra me indicar, foi isso", declarou Flávio.

A assessoria do senador declarou que as afirmações de Paulo Marinho têm "o objetivo de manipular a justiça" e que Flávio já prestou todos os esclarecimentos a respeito. Ele nega o teor do depoimento do empresário.

Ex-assessora nega encontro com delegado

A GloboNews divulgou outro depoimento do mesmo inquérito, o Valdenice Meliga, ex-assessora de Flávio Bolsonaro.

Segundo Paulo Marinho, Valdenice foi uma das pessoas que souberam que a operação Furna da Onça iria acontecer.

Marinho disse que as informações teriam sido passadas a ela por um delegado da Polícia Federal. Além de Valdenice, teriam participado do encontro o coronel Miguel Angelo Braga, atual chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado, e Victor Alves, advogado de confiança do senador.

Em depoimento prestado em 28 de maio, Valdenice negou que tenha tido conhecimento da operação com antecedência. "Não tive encontro nenhum. É de uma irresponsabilidade do Paulo Marinho ter me colocado e os outros", afirmou.

Em nota, Paulo Marinho disse que quem mencionou a presença da ex-assessora no suposto encontro com um delegado da PF foi Victor Alves.

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