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Grupo de bolsonaristas pede que Maia não se encontre com Felipe Neto

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, sofre pressão de apoiadores do governo para não se reunir com Felipe Neto, após o influenciador criticar o governo - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Rodrigo Maia, presidente da Câmara, sofre pressão de apoiadores do governo para não se reunir com Felipe Neto, após o influenciador criticar o governo Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

06/08/2020 11h20

Um grupo de deputados federais apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pede que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não se encontre com o influenciador digital e empresário Felipe Neto, como anunciou que faria essa semana.

Um requerimento foi apresentado pelo deputado federal José Medeiros (Podemos-MT). Segundo o parlamentar à reportagem, ele disse ter feito o pedido para se posicionar contra as falas críticas de Neto ao Congresso Nacional.

"Ele tem uma fala muito ácida em relação aos políticos e ao Parlamento em geral. Se tem tanta ojeriza à Casa, é um convidado não bem-vindo. Coloquei esse registro para saber que não é bem-vindo. Tenho um respeito muito grande pelo presidente Rodrigo Maia. Entendi que o convite dele também é revestido de simbologia pelo fato de o Felipe ter sido alvo de ataques", afirmou.

Medeiros é vice-líder do governo Bolsonaro no Congresso e conta com o apoio de outros colegas governistas, como Coronel Armando (PSL-SC), Otoni de Paula (PSC-RJ) e Carla Zambelli (PSL-SP). Esta inclusive, pediu a colaboração de mais deputados pelo Twitter.

Desde que passou a fazer críticas mais contundentes a Bolsonaro, inclusive com vídeo para o "The New York Times" em julho, o influenciador virou alvo de ataques virtuais de bolsonaristas e de ato em frente ao condomínio onde mora, no Rio de Janeiro. Na postagem do jornal americano, Felipe Neto classificou Bolsonaro como "o pior presidente do mundo".

Rodrigo Maia convidou Neto para discutir combate às fake news e acelerar a tramitação de um projeto na Câmara sobre o tema. O convite e o aceite foram firmados pelo Twitter.

Até a última atualização desta reportagem, ainda não havia previsão de quando o encontro iria acontecer. Porém, é pequena a probabilidade que Maia considere o pedido.

Medeiros afirmou que, além das críticas ao Congresso, não concorda com a maneira como Felipe Neto conversa com seus seguidores, em grande parte adolescentes, sobre alguns temas. Por exemplo, relacionados à educação sexual.

"Nunca gostei do estilo, porque faz uma captação de público com assuntos picantes", falou.

O deputado também disse que Neto se aproveita da base de seguidores para se cacifar politicamente e, assim como Zambelli, acusa ele de já ter sido condenado por fake news.

Nesta terça (4), Neto negou ter sido condenado por fake news e se defendeu no Twitter dizendo que, em dois casos, "apenas compartilhei uma matéria de um grande veículo. Não produzi notícia alguma. Não sou agência de checagem de grandes veículos". E acrescentou estar recorrendo na Justiça.

Em junho de 2020, Neto foi condenado a pagar R$ 8 mil de indenização por danos morais ao presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Marcelo Augusto Xavier da Silva, após mensagens no Twitter publicadas em agosto de 2019. No caso, o influenciador digital afirmou que Marcelo Augusto é investigado por agredir o pai, conforme matéria que compartilhou junto, entre outras críticas.

A juíza do caso avaliou que Neto "ultrapassou o amplo direito de expressão".

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