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TCU abre processo para apurar direcionamento a empresa de ex de Wassef

O advogado Frederick Wassef - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
O advogado Frederick Wassef Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

08/09/2020 21h27Atualizada em 08/09/2020 21h27

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para apurar se houve direcionamento na contratação de uma empresa da ex-mulher do advogado Frederick Wassef pelo governo de Jair Bolsonaro.

O processo no TCU foi aberto após pedido do Ministério Público e de três deputados do PT a partir de reportagens publicadas pelo UOL, que revelou em junho que a empresa Globalweb Outsourcing obteve, no governo de Bolsonaro, mais repasses de dinheiro do que recebia proporcionalmente nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB).

A Globalweb nega irregularidades e interferência política na obtenção de contratos com o governo. A firma está registrada em nome de Bruna Boner, uma das filhas de Cristina Boner, ex-esposa de Wassef.

A estatal Telebrás, maior contratante da Globalweb, pediu uma auditoria à Controladoria Geral da União (CGU) depois das reportagens do UOL, quando afirmou que "ter compromisso com a ética e com os princípios legais".

Já o MEC (Ministério da Educação), que também tem contratos com a empresa, informou que os negócios com a Globalweb foram feitos a partir de decisões técnicas.

No TCU, o caso será relatado pelo ministro Augusto Nardes, que ordenou que técnicos da Secretaria de Fiscalização de Tecnologia de Informação (Sefiti) iniciem a investigação dos contratos da Globalweb.

Procurado pelo UOL, o advogado Frederick Wassef já afirmou que se sente perseguido por causa de sua relação com a família Bolsonaro. Ele já trabalhou no caso de Adélio Bispo, que esfaqueou o então candidato à Presidência, na campanha eleitoral de 2018 e para o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

"Você acha que estou apanhando por quê?", disse ele ao UOL. "Eu nunca neguei minha relação com a família Bolsonaro. Exatamente por eu ser advogado e sempre ter atuado com questões jurídicas é que não sou nem lobista nem operador e nem nada parecido com isso."

Foi em um imóvel de propriedade de Wassef que a polícia prendeu Fabrício Queiroz, acusado de ter operado um esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia do Rio.

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