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Política

Vereadora de Belo Horizonte é detida em manifestação contra despejo

Bruno Torquato

Colaboração para o UOL, em Betim (MG)

17/10/2020 12h51

A vereadora Bella Gonçalves (PSOL), de Belo Horizonte, foi detida na tarde de ontem pela Polícia Militar após participar de um protesto na capital mineira. De acordo com a Polícia, ela foi indiciada por resistência ao confrontar os militares que iriam prender outros manifestantes. A vereadora nega e acusou a Polícia Militar de ter cometido abuso de autoridade.

Bella Gonçalves alega que ficou detido por mais de dez horas e foi vítima de perseguição política. A parlamentar estava em uma ato contra despejos na comunidade Beija-flores, em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte, quando um carro teria avançado contra os manifestantes ao tentar passar pela rua bloqueada no protesto. A PM (Polícia Militar) alega que os manifestantes começaram o tumulto e danificaram o veículo. A ocupação estaria em uma área que pertence à Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).

"Informaram que fui detida apenas na delegacia e decidiram isso às 16h30. Foi perseguição política. Eu fui apenas dizer que não iriam levar uma senhora idosa dentro do camburão. E que, se essa senhora fosse presa, eu iria acompanhar. O que aconteceu foi um dos maiores absurdos da minha vida", afirmou a vereadora em entrevista ao UOL. Ela deixou a delegacia na madrugada de hoje após ser ouvida pela polícia.

Responsável por comandar o policiamento no ato, o major Cláudio Henrique Ribeiro dos Santos alegou que a vereadora insistiu que não deixaria prender os manifestantes e que deram a voz de prisão para ela no local (e não na delegacia como disse a vereadora). "Não utilizamos algemas e não foi usado o uso da força. Ela entrou na viatura no banco de trás de foi direto para a delegacia, sem resistir".

Carro foi motivo da confusão

A parlamentar explicou uma mulher avançou com um carro contra manifestantes e que a PM teria cometido abuso de autoridade no local. "Ela foi com o veículo para cima, em baixa velocidade, mas um carro é uma arma. Isso depois de agredir verbalmente os manifestantes. A luta é a única arma das pessoas, elas reagiram para não se machucarem", disse. Ela afirma ainda que a polícia jogou spray de pimenta nas pessoas e diretamente em seu rosto.

A PM contraria a versão de Bella Gonçalves e diz que os manifestantes foram os responsáveis pelo tumulto. "Parte dos manifestantes foi fechar duas ruas e partiu para cima dos veículos, de forma desorganizada. Eles começaram a ameaçar motoristas e causar danos", afirmou o major Cláudio Henrique Ribeiro dos Santos.

Em relação ao uso de spray de pimenta, o major defendeu o procedimento, "Ao notar que estavam agredindo e danificando o carro, o spray foi para dispersar a multidão", avaliou.

A PM ainda explicou que a manifestação não teria sido comunicada com antecedência e que atualmente é proibido esse tipo de ato com mais de 30 pessoas, devido a pandemia do novo coronavírus. A vereadora contestou essas informações. "Não é necessário avisar antes, isso não é uma alegação legítima. A polícia pode ser informada para dar segurança. Talvez esse seja o motivo de ter poucas guarnições no local", disse.

A Polícia Civil de Minas Gerais disse ao UOL que todos os envolvidos foram ouvidos e liberados e um inquérito será instaurado para elucidar os fatos.

Cemig alega segurança para as pessoas

Em nota enviada ao UOL, a Cemig disse que processos de despejos em suas áreas de transmissão são para proteger as pessoas.

"A Cemig informa que os processos de reintegração de posse são instaurados sempre que a empresa identifica uma invasão dentro da faixa de segurança das Linhas de Distribuição e Transmissão de energia elétrica, objetivando mitigar os riscos a que a população invasora fica submetida nesses locais", diz a nota. A empresa alegou também que os cumprimentos de ordem de reintegração de posse são feitos pelo poder Judiciário.

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