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Sem pressa para fazer novo ministro, Bolsonaro fica com Jorge até dezembro

O presidente Jair Bolsonaro abraça Jorge Oliveira, secretario-geral da Presidência, em evento em Brasília - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro abraça Jorge Oliveira, secretario-geral da Presidência, em evento em Brasília Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

Guilherme Mazieiro, Carla Araújo e a Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

30/10/2020 04h00Atualizada em 30/10/2020 07h55

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deve deixar a troca do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência para janeiro. Atual ocupante do cargo, Jorge Oliveira permanecerá no governo até o fim de dezembro, quando assumirá a cadeira de ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), no lugar de José Múcio, que se aposentará.

Jorge foi indicado ao TCU por Bolsonaro e aprovado pelo Senado na semana passada. Dentro do Palácio do Planalto, auxiliares do presidente indicam que seu substituto será o almirante Flávio Rocha. Mas como faltam dois meses para nomeação, há receio de que surja um nome fora do radar, como aconteceu com Kassio Marques, que tomará posse no STF (Supremo Tribunal Federal).

Antes do anúncio do nome de Kassio Marques, a expectativa era que Bolsonaro indicasse um ministro "terrivelmente evangélico", como chegou a dar a entender após sua posse na Presidência.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, também foi escalado sem vazamento de informação e sem alarde. Nem mesmo ministros militares próximos ao presidente e o pai de Faria sabiam da nomeação até horas antes da publicação em Diário Oficial, numa quarta-feira à noite.

Rocha faz parte do núcleo de amizade de Bolsonaro. Ele já atuou como chefe da assessoria parlamentar da Marinha no Congresso.

A pasta de Jorge é responsável pela assessoria jurídica, atividades administrativas da Presidência, edição de atos presidenciais, encaminhamento de mensagens ao Congresso Nacional e publicação de atos oficiais.

"O ministro fica porque o Múcio só sai no fim do ano, não tem vaga ainda", disse o líder do governo Eduardo Gomes (MDB-TO), sobre a permanência de Jorge Oliveira.

A "sombra" do presidente

O almirante Flavio Rocha, cotado para assumir a Secretaria-Geral da República - Divulgação/TCE-MG - Divulgação/TCE-MG
O almirante Flavio Rocha, cotado para assumir a Secretaria-Geral da República
Imagem: Divulgação/TCE-MG

Nos bastidores, o almirante Flávio Rocha já vem atuando desde o início do ano como um dos principais conselheiros de Bolsonaro e tem acesso livre ao gabinete presidencial. Ele foi escalado pelo presidente para missão de ajuda humanitária ao Líbano, com presença da comunidade libanesa do Brasil e do ex-presidente Michel Temer (MDB).

O militar costuma participar de todas as reuniões estratégicas, mesmo aquelas que não tem necessariamente a ver com as atribuições do órgão chefiado por ele até então, a SAE (Secretaria de Assuntos Especiais). Foi por esse motivo que ele ganhou o apelido de "sombra".

O secretário atuou para arrefecer crises recentes, ajudou na sucessão do Ministério da Educação e coordenou a transição do Ministério da Saúde em meio à pandemia do coronavírus. Seu perfil é descrito por seus interlocutores como "discreto", "sociável" e "apaziguador".

"Um nome extremamente qualificado, humilde, inteligente e goza da confiança do presidente. É tímido, na dele. Uma pessoa que quando você demanda, ele dá retorno, resolve encaminhamentos. Não te deixa na mão.", disse o senador Nelson Trad (PSD-MS), que esteve com Rocha no Líbano.

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