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Bolsonaro recua e diz que Forças Armadas estão comprometidas com democracia

Gilvan Marques e Letícia Lázaro

Do UOL, em São Paulo*

21/01/2021 19h56Atualizada em 22/01/2021 13h38

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou, durante transmissão ao vivo realizada nas redes sociais na noite de hoje, que as Forças Armadas brasileiras estão "comprometidas" com a democracia e a liberdade. Há três dias, o presidente declarou que são os militares que "decidem" se um país vai viver na democracia ou na ditadura.

"Graças a Deus aqui no Brasil nós temos Forças Amadas comprometidas com a democracia e com a liberdade", declarou o presidente ao criticar o que ele chamou de "ditadura instalada" na Venezuela. "Um grande pilar da democracia são as nossas Forças Armadas, que jamais aceitariam o convite de uma autoridade de plantão, no caso o presidente da República, a enviesar para um caminho diferente da liberdade, da democracia", completou Bolsonaro.

Na última segunda-feira, em conversa com apoiadores, o presidente criou polêmica ao afirmar que as Forças Armadas estariam "sucateadas" no Brasil, como uma forma de "estratégia para adotar o socialismo" no país e que "temos liberdade ainda", mas "tudo pode mudar".

"No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor destes homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar. Imagine o Haddad no meu lugar. Como estariam as Forças Armadas com o Haddad em meu lugar?", questionou Bolsonaro.

Augusto Aras cita "Estado de Defesa" em nota

Ontem, o procurador-geral de República, Augusto Aras, publicou nota reconhecendo indiretamente o crescimento da pressão pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro e insinuando que o presidente poderia adotar um "estado de defesa" para manter as instituições durante período conturbado.

"O estado de calamidade pública é a antessala do estado de defesa. A Constituição Federal, para preservar o Estado Democrático de Direito e a ordem jurídica que o sustenta, obsta alterações em seu texto em momentos de grave instabilidade social. A considerar a expectativa de agravamento da crise sanitária nos próximos dias, mesmo com a contemporânea vacinação, é tempo de temperança e prudência, em prol da estabilidade institucional", diz a nota.

No mesmo dia, membros do Membros do Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal) divulgaram nota demonstrando preocupação com a fala do procurador-geral da República.

"Nesse cenário, o Ministério Público Federal e, no particular, o Procurador-Geral da República, precisa cumprir o seu papel de defesa da ordem jurídica, do regime democrático e de titular da persecução penal, devendo adotar as necessárias medidas investigativas a seu cargo", diz a nota assinada por seis subprocuradores-gerais da República.

Críticas à Venezuela

O presidente Jair Bolsonaro comentou a situação política da Venezuela e afirmou que chegou a discutir sobre o assunto com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em duas ocasiões.

"Nós sentimos muito o que esta acontecendo, nossos irmãos perderam a liberdade, o poder aquisitivo, grande parte vivem na miséria enorme, inclusive fogem para o Brasil. Nós aqui, em Roraima, no município de Pacaraima, acolhemos e os distribuímos pelo Brasil. Agora, a gente gostaria que tudo se solucionasse lá", disse.

Bolsonaro demonstrou preocupação com o interesse político da Venezuela pela região de Essequibo, território onde há uma disputa envolvendo os venezuelanos e a Guiana. O presidente afirmou que o Brasil tem que "se preparar para este tipo de problema".

"Ali no norte da América do Sul, Venezuela, Guiana, tem uma região chamada Essequibo, que, de vez em quando, a Venezuela fala mais alto falando que é deles. Temos um problema então no norte no Brasil. Os países que tem essa politica, nós sabemos que mais cedo ou mais tarde pode se aventurar e nós sabemos que, pra chegar la por terra, tem que passar pelo Brasil", explicou Bolsonaro.

(Com Agência Estado)

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, Jair Bolsonaro citou a cidade de Pacaraima, e não Cáritas, em Roraima. A informação foi corrigida.

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