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Juiz diz que hacker da Lava Jato voltará à prisão se conceder entrevistas

Walter Delgatti Neto, que confessou ter invadido o Telegram e copiado diálogos de procuradores da Lava Jato - Mateus Bonomi/Folhapress
Walter Delgatti Neto, que confessou ter invadido o Telegram e copiado diálogos de procuradores da Lava Jato Imagem: Mateus Bonomi/Folhapress

Natália Lázaro

Colaboração para o UOL, em Brasília

26/02/2021 15h11Atualizada em 26/02/2021 15h14

O juiz Federal Ricardo Leite, da 10ª Vara da Justiça de Brasília, decidiu que o hacker Walter Delgatti Neto, um dos acusados de ter invadido o Telegram de autoridades e de ter e copiado diálogos de procuradores da Operação Lava Jato, está proibido de conceder entrevistas a quaisquer veículos de imprensa, sob pena de ser preso preventivamente.

Delgatti Neto é réu na Operação Spoofing, da Polícia Federal, que investiga desde 2019 o compartilhamento de dados pessoais de autoridades de forma ilegal.

A decisão do juiz, dada em audiência realizada ontem por videoconferência em Brasília, atende a um pedido do Ministério Público Federal, que solicitou o retorno do hacker à prisão — ele está em prisão domiciliar desde outubro do ano passado, com tornozeleira eletrônica, em sua casa em Araraquara (SP).

Segundo a Procuradoria, apesar de estar proibido de acessar a internet, ele concedeu entrevista por meio de videoconferência no computador de seu advogado. Ainda de acordo com o MPF, Delgatti também fez comentários em entrevistas contra outras autoridades ainda não citadas no processo.

"Ele mencionou que [Luís Roberto] Barroso [ministro do Supremo Tribunal Federal] funcionaria como conselheiro de Deltan. O Barroso orientava a Lava Jato. Então a gente percebe que não só as pessoas atingidas, mas outra autoridades que nem tem contato direto com a questão de fundo, elas também estão sendo atingidas e tendo honra imaculadas", disse a Procuradoria, argumentando que somente a preventiva poderia evitar a continuidade das entrevistas.

O advogado Ariovaldo Moreira, que defende Delgatti, discordou que as entrevistas concedidas pelo cliente tenham violado a ordem judicial. Porém, ele afirmou que seu cliente está disposto a não falar mais com a imprensa para evitar desgastes no processo.

"Caso o senhor entenda que as entrevistas dele possam estar causando problemas com relação ao processo, não temos problema nenhum, a partir deste momento, se o senhor entender, ele não vai mais dar entrevista a ninguém e não vai mais ter acesso a internet", disse o advogado.

O juiz disse concordar com os argumentos do MPF, argumentando que que o réu confessou em diferentes oportunidades ter hackeado as autoridades ilegalmente.

"Se ele continuar a dar qualquer entrevista por qualquer meio falando desse processo de mensagens hackeadas, conceder, ainda que de forma direta ou indireta, mesmo que o senhor acesse ou outra pessoa acesse, ele vai voltar a cumprir essa medida cautelar [prisão preventiva]", disse o juiz.

Ele também chamou a atenção de Neto do meio da audiência e o alertou a não repetir tais erros. "O senhor está cumprindo medidas cautelares, então sua situação é bem instável. Então, por favor, veja ai as outras pessoas que estão sendo processadas elas não dão entrevistas, elas estão cumprindo, qualquer duvida que tem elas vem aqui trabalhar se pode ou não, bem diferente do que você fez", disse ao réu.

O investigado pediu desculpas diretamente ao juiz e disse que tal situação não vai mais se repetir. A ordem do magistrado está em vigor desde ontem. Entrevistas já concedidas pelo réu antes da decisão serão analisadas caso a caso pelo Ministério Público.

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