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Bolsonaro cancela pronunciamento em rádio e TV

24.fev.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visita o município de Sena Madureira, no Acre - Diego Gurgel/Ishoot/Estadão Conteúdo
24.fev.2021 - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) visita o município de Sena Madureira, no Acre Imagem: Diego Gurgel/Ishoot/Estadão Conteúdo

Eduardo Militão e Thaís Augusto

Do UOL, em São Paulo

02/03/2021 16h08

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cancelou seu pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, que estava previsto para hoje às 20h30. Emissoras já haviam sido convocadas pela Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) a reservar 3 minutos da sua programação para o pronunciamento do presidente.

Procurada pelo UOL, a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) não informou o motivo do cancelamento. Segundo a Folha de S. Paulo, Bolsonaro preparava um discurso para defender a isenção de impostos sobre o diesel e criticar as medidas de restrição por causa do aumento de internações pelo coronavírus.

Ontem, pelo terceiro dia consecutivo, o Brasil bateu recorde na média móvel de mortes por covid-19. Foram 1.223 óbitos em média nos últimos sete dias, o que coloca o país novamente em tendência de aceleração. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte, com base em dados fornecidos pelas secretarias estaduais de saúde.

No início da semana, o presidente Bolsonaro fez pelo menos cinco afirmações falsas sobre a pandemia de coronavírus. Ele disse que mortes por coronavírus interessam a "alguns setores da sociedade brasileira" e que "alguns políticos" preferem que os pacientes fiquem em "estado grave" nos hospitais.

Na mesma conversa, o presidente disse que "não errou nenhuma" de suas avaliações e previsões sobre o coronavírus. "Desculpe pessoal, não vou falar de mim, mas não errei nenhuma. Não precisa ser inteligente para entender isso". Segundo Bolsonaro, ele anteviu que o isolamento físico traria problemas psicológicos às pessoas.

Novas restrições estaduais contra a covid-19

Os casos e mortes por covid-19 aceleram em quase todo o país enquanto estados como Santa Catarina enfrentam a lotação de leitos de UTI. Para tentar frear a alta, estados começam a estabelecer medidas mais restritivas ao comércio e atividades não essenciais.

Em Mato Grosso, com taxa de ocupação de leitos de UTI em 88%, o governo decretou um toque de recolher que passa a vigorar a partir de amanhã. Somente trabalhadores de serviços essenciais ou pessoas que tenham extrema necessidade poderão circular pelas ruas.

Em Pernambuco, a situação é simular: uma semana após estabelecer toque de recolher em 63 cidades pernambucanas, o governo de Pernambuco decretou novas medidas restritivas para todo o estado. Entre as restrições, estão a proibição do funcionamento de atividades não essenciais, das 20h às 5h, entre as segundas e sextas-feiras.

Já aos sábados e domingos, apenas serviços essenciais poderão funcionar durante todo o dia. As medidas foram anunciadas ontem, quando a ocupação dos leitos hospitalares da rede pública estadual atingiu 93%.

Ontem, secretários estaduais de Saúde publicaram carta aberta ao governo federal pedindo pelo estreitamento das medidas de prevenção ao novo coronavírus e a volta do auxílio-emergencial.

Entre as medidas sugeridas, estão o toque de recolher noturno — das 20h às 6h — e aos finais de semana; "restrição em nível máximo" das atividades em regiões com ocupação de leitos acima de 85%; proibição de eventos presenciais como shows, atividades religiosas e esportivas; fechamento de bares de praias, além da suspensão de aulas presenciais e a adoção do trabalho remoto nas esferas públicas e privadas.

Após a divulgação da carta, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou que um confinamento nacional para frear o avanço da segunda onda do coronavírus "não adianta". Ele disse que a realidade local é que deve ser avaliada.

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