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Conteúdo publicado há
1 mês

Aziz chama atenção de senador que disse tomar medicamentos sem eficácia

Do UOL, em São Paulo*

05/05/2021 15h13Atualizada em 05/05/2021 16h33

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), pediu cautela a quem assistia à transmissão pela internet após o senador Marcos do Val (Pode-ES) declarar que utiliza medicamentos sem eficácia comprovada como profilaxia contra a covid-19.

A quem está nos ouvindo, ai eu vou pedir cautela
Omar Aziz (PSD-AM)

Na sequência, o presidente da CPI recomendou a quem estava acompanhando a sessão da CPI a procurar um médico antes de se automedicar com remédios que estão sendo sugeridos para combater ou prevenir a covid-19.

Viu, Marcos. Como você é referência, as pessoas podem utilizar sem saber
Omar Aziz (PSD-AM)

O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) tomou a palavra durante a sessão para defender a automedicação com o "kit covid" e foi repreendido pelo presidente da CPI.

O posicionamento de Heinze gerou uma segunda discussão no Senado. Otto Alencar (PSD-BA), que é médico, indicou de forma irônica a "vacina antirrábica" para Heinze, após o parlamentar do Rio Grande do Sul ter rebatido a repreensão feita por Omar Aziz.

A primeira briga que ocorreu no Senado foi protagonizada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), que integra a bancada feminina. A parlamentar não está entre os membros oficiais da CPI, que conta com 18 membros, todos homens.

Ao pedir a palavra, ela foi interrompida por Ciro Nogueira, que falou sobre o regimento interno não permitir a participação de membros externos. Contudo, Omar Aziz disse não ver problema em deixar as parlamentares da bancada se revezarem na participação da CPI, uma vez que são numericamente representativas no Senado.

Bolsonaro defende uso do "kit covid"

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), assim como a atual gestão do Ministério da Saúde, gerida por Marcelo Queiroga, indicam o uso do "kit covid" para o "tratamento precoce" dos pacientes diagnosticados com a covid-19.

A azitromicina, a ivermectina e a cloroquina são medicamentos que compõem esse kit sugerido pelo governo federal, mesmo sem a eficácia comprovada para combater e prevenir a doença.

Em lives e aparições para apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidente Bolsonaro mostrou a caixa da cloroquina e defendeu o tratamento do coronavírus pelo medicamento. Políticos que apoiam o presidente, como o senador Eduardo Girão (Podemos-CE), membro da CPI da Covid, admitem que fizeram uso do medicamento para prevenir a doença.

O uso constante dos medicamentos que integram o "tratamento precoce" recomendado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo Ministério da Saúde tem sido apontado como a causa de hepatite medicamentosa em pacientes que usaram os remédios.

A doença é um problema que envolve diversos fatores, como o uso extenso do medicamento, dosagem, ausência de acompanhamento médico, automedicação, interação entre os remédios, abuso de álcool e até mesmo predisposição genética.

* Com informações da Agência Estado

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.