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6 meses

Renan diz que Pazuello já mentiu 14 vezes e quer checagem de fatos na CPI

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

20/05/2021 15h08Atualizada em 20/05/2021 15h29

Relator da CPI da Covid, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) voltou a criticar o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, pelas "contradições e omissões" durante seus depoimentos à comissão. Segundo Calheiros, que voltou a pedir a contratação de uma agência de checagem de fatos, o general já mentiu "flagrantemente" em 14 oportunidades.

"Nós já tivemos uma primeira amostragem dessas contradições, inverdades e omissões. O depoente em uma, duas, três, cinco, seis, sete... Em 14 oportunidades mentiu flagrantemente. Ousou negar suas próprias declarações. É uma nova cepa que nós estamos vendo aqui, a negação do negacionismo", disse o senador, mostrando uma pilha de documentos.

Para Calheiros, as contradições de Pazuello "tripudiam" da investigação. "Nós precisamos que se respeite essa Comissão Parlamentar de Inquérito", acrescentou.

Nós, desde ontem [primeiro depoimento de Pazuello], tivemos aqui um espetáculo nunca visto. Em função da necessidade, diante do depoimento cheio de contradições e omissões do ex-ministro da Saúde, é fundamental essa CPI contratar um serviço para fazer uma procura online da verdade, uma varredura das mentiras que estão sendo pronunciadas aqui.
Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI

Ontem, em entrevista coletiva após o primeiro depoimento de Pazuello, o senador já havia anunciado que pediria ao presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), que contratasse uma agência para checar as declarações feitas à comissão em tempo real.

Como exemplo de contradição, Calheiros citou a resposta do ex-ministro da Saúde às inúmeras tentativas de contato feitas pela Pfizer em 2020 — e ignoradas pelo governo federal — para o fornecimento de vacinas contra a covid-19.

"Ele [Pazuello] tentou responder a partir de dezembro, mas a pergunta não era exatamente aquela. Era por que eles teriam deixado de receber a Pfizer durante aquele período em que a empresa mandou uma carta se colocando à disposição para vender as 70 milhões de doses de vacina. Ele respondeu com imprecisão e mentiu muito, infelizmente", lamentou.

(Colaborou Ana Carla Bermúdez)

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.