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1 mês

MP denuncia 35 PMs por motim que terminou com Cid Gomes baleado no Ceará

Cid Gomes foi ferido em motim de parte da PM do Ceará em 2020 - Reprodução/Facebook
Cid Gomes foi ferido em motim de parte da PM do Ceará em 2020 Imagem: Reprodução/Facebook

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

22/06/2021 18h03

O MP-CE (Ministério Público do Ceará) denunciou 35 militares, entre eles dois oficiais com patente de tenente-coronel, identificados como responsáveis pelo motim de policiais em Sobral, em fevereiro de 2020. O protesto dos militares culminou com os dois tiros que atingiram o senador Cid Gomes (PDT-CE) quando o parlamentar tentava invadir o 3º Batalhão da PM (Polícia Militar) com uma retroescavadeira.

Agora, o caso segue para decisão da Vara de Auditoria Militar, que pode ou não receber a denúncia e tornar os militares réus. Os militares rechaçam a denúncia alegando que ela foi genérica e que não há como identificar militares, por exemplo, porque eles estavam com os rostos cobertos.

A denúncia se refere apenas aos crimes militares de omissão e revolta dos policiais e não tem relação com a investigação que ainda ocorre sobre os disparos de arma de fogo contra o senador. Nesse caso, a investigação está com o inquérito aberto da Polícia Civil, sem conclusão.

O motim policial durou 13 dias e resultou em um grande aumento nos índices de criminalidade nas ruas. Ao todo, por conta daquele movimento ilegal, mais de 300 policiais em todo o estado já foram denunciados.

Cid Gomes tenta invadir quartel e é baleado

Denúncia

Responsável pelo caso, o promotor de Justiça militar Sebastião Brasilino Filho alegou em sua denúncia que o movimento dos militares foi ilegal. "Desde os dias iniciais da revolta, passamos a assistir ao crime, através de seus elementos militares, invadindo quartéis e tomando de assalto as viaturas policiais, cenas que infelizmente ganharam repercussão nacional", diz na denúncia, citando que os militares não podem alegar terem sido coagidos.

"São extremamente falaciosas, posto que, são todos eles militares, combatentes do crime, e por tal, NÃO TÊM O DIREITO de alegar covardia ou coação, quando tinham o dever legal de agir para proteger terceiros, bem como proteger a si", afirma Brasilino Filho.

O motim de policiais teve uma série de episódios, como invasão das mulheres a quartéis e paralisação com furos nos pneus de viaturas. A Força Nacional de Segurança foi enviada ao Ceará para ajudar no patrulhamento das ruas.

Investigação sobre tiros

Ao UOL, o promotor Victor Pinho, do Tribunal do Júri de Sobral, explica que a denúncia se refere apenas ao IPM (inquérito policial militar) finalizado, que apontou que policiais envolvidos praticaram crimes militares.

Entretanto, como um dos crimes praticados teria sido tentativa de homicídio praticado por militar, o caso foi encaminhado para a promotoria do Tribunal do Júri, que é a responsável por apurar crimes dolosos (com intenção) contra a vida.

"Há um inquérito que tramita não foi concluído. Caberá à promotoria a qual estou responsável, em Sobral, analisar tanto o que foi apurado no inquérito policial militar, quanto o que está sendo investigado no inquérito policial conduzido pela Polícia Civil, e avaliar se já há elementos suficientes para um oferecimento de denúncia, ou arquivamento, ou se faz se necessária a continuidade da investigação para aprofundar os fatos ocorridos", relata.

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