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Oposição busca centro para atos contra Bolsonaro; impeachment é 2º passo

7.set.2021 - Imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com uma faixa presidencial com o escrito "genocida" e dinheiro nos bolsos em protestos no Vale do Anhangabaú (SP) - José Dacau/UOL
7.set.2021 - Imagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com uma faixa presidencial com o escrito "genocida" e dinheiro nos bolsos em protestos no Vale do Anhangabaú (SP) Imagem: José Dacau/UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

09/09/2021 04h00Atualizada em 09/09/2021 08h19

Após falas antidemocráticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e atos pró-golpe no 7 de Setembro, a oposição busca se unir e articular a adesão de partidos de centro para turbinar atos contra o chefe do Executivo federal.

Na avaliação do grupo, é preciso imprimir uma reação unificada nas ruas.

O pedido de impeachment de Bolsonaro não deixará de ser reforçado, mas a oposição afirma que o apoio maciço de mais alas ao pleito só deve acontecer em um segundo momento.

Inclusive porque sabem que o pedido de saída de Bolsonaro enfrenta resistência do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) —responsável por colocar o pedido em discussão—, e diversos partidos ainda não decidiram o que vão fazer após o 7 de Setembro.

O Solidariedade deve ter um posicionamento mais claro na próxima quarta (15), informou seu presidente, o deputado federal Paulinho da Força (SP), por exemplo.

A ideia da oposição neste primeiro momento é promover grandes atos unificando esquerda e centro no início de outubro e em 15 de novembro.

Nesta última data, querem aproveitar a comemoração da Proclamação da República e rebater exaltações ao Império, parte da pauta de alguns bolsonaristas —embora o apoio à Monarquia e a um presidente da República ao mesmo tempo seja paradoxal.

Para integrantes de partidos de esquerda ouvidos pelo UOL, o debate contra Bolsonaro tem que ser ampliado para além da oposição e atrair partidos que começam a ficar insatisfeitos com o posicionamento do presidente da República. Até para ganhar tração e formar uma frente ampla articulada capaz de confrontar Bolsonaro numa espécie de novas "Diretas Já".

Desde os atos de 7 de setembro, uma série de partidos de centro lançou notas de repúdio a Bolsonaro, só que isso não se refletiu necessariamente em desembarques imediatos do governo federal.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Bohn Gass (RS), reconhece que a tentativa de contar com a adesão de partidos de centro às manifestações críticas a Bolsonaro não tem sido bem-sucedida até o momento. Mas, a seu ver, agora, Bolsonaro agravou o próprio isolamento institucional, além de estar perdendo popularidade diante da pandemia e das dificuldades econômicas da população, o que ajuda a afastar o centrão do Planalto, argumenta.

"Então, começa a ter um ambiente de maior aceitação por parte dos partidos contra essas coisas", considera. "Começamos a avançar nesse tema."

Há conversas com as lideranças do PSDB, PSD, DEM, MDB e Solidariedade para que esses partidos saiam às ruas com a oposição nos próximos protestos. O Novo também não é descartado. Pelo contrário: a vontade é unir todos que são contra Bolsonaro sem remoer discórdias e sem distinção de passado político.

Ou seja, possibilitar que subam num mesmo carro de som o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e Guilherme Boulos (PSOL), citam. A intenção é que estejam presentes não somente parlamentares ou presidentes de partidos políticos, como também governadores, centrais sindicais e movimentos sociais.

Presidentes de esquerda, como PSOL, PCdoB, Cidadania, PDT e PT, se reuniram virtualmente na noite desta quarta-feira (8) para debater como se unir melhor e atrair siglas até mesmo da "direita ressentida".

Segundo relatos à reportagem, a conversa foi animadora. Uma das condições postas na mesa é que os atos da frente ampla que querem consolidar não sirvam de campanha explícita para eventuais candidatos ao Planalto em 2022, como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Ciro Gomes (PDT). Sob reserva, líderes partidários afirmaram que essa questão é consensual.

Mesmo assim, essa articulação não deve ser posta em prática neste domingo (12), para quando o MBL (Movimento Brasil Livre) e parte da esquerda, ao lado de algumas centrais sindicais, preveem o próximo ato contra Bolsonaro.

Houve pressão para que todos os participantes do encontro —somente a esquerda com o Solidariedade— fechassem adesão ao ato de domingo, mas, ao final, ela foi abortada. Isso porque alguns partidos consideram não terem sido convidados oficialmente para as manifestações, como PCdoB e PT, nem ter havido uma construção coletiva.

Outro ponto considerado delicado pela oposição é como agregar os partidos de centro aos atos "sem entregar tudo de mão beijada", falou um presidente de partido ao UOL.

A avaliação de líderes de esquerda é que seus partidos estão se mobilizando nas ruas há cerca de um ano e o processo não pode ficar nas mãos de partidos como o DEM, com ministros no governo Bolsonaro, ou do MDB, com cargos de lideranças do governo no Congresso.

Há, ainda, a necessidade de apoio das próprias bases partidárias para que antagonistas políticos, mas críticos a Bolsonaro, não sejam vaiados quando juntos nos atos.

Na avaliação de interlocutores, porém, nada que não seja contornável ao longo das semanas seguintes.

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