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Senadora diz que irmã nos EUA não quer se vacinar contra covid: 'Sofremos'

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

18/10/2021 15h14Atualizada em 18/10/2021 17h02

A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) afirmou hoje ter uma irmã nos Estados Unidos que não quer se vacinar contra a covid-19 nem permitir que os filhos se imunizem contra o novo coronavírus.

O relato foi dado durante audiência da CPI da Covid para ouvir histórias de vítimas e familiares de vítimas da covid-19.

Soraya pediu que as pessoas se vacinem contra a doença e disse que os relatos de hoje na comissão são uma oportunidade para dar face às vítimas. Em seguida, falou sobre a situação da irmã.

"Tenho uma irmã lá nos Estados Unidos que se nega a tomar a vacina, não deu a vacina para os filhos e não há Cristo que faça ela entender a necessidade disso. E nós sofremos aqui, sofremos com medo", disse.

A senadora criticou quem debocha da covid-19 e de pessoas que se preocupam em não serem infectadas pelo novo coronavírus. Ela relatou que há um tempo atrás foi alvo de chacota e críticas nas redes sociais por ter escrito "vidas acima de tudo". Hoje, reiterou o entendimento e disse não haver bandeiras ou partidos no enfrentamento à pandemia.

Em depoimento hoje na CPI da Covid, Márcio Antônio do Nascimento Silva, pai de Hugo do Nascimento Silva, que morreu aos 25 anos, em decorrência da covid-19, criticou deboches de políticos e de outras pessoas diante da doença. Ele ainda afirmou que a dor diante da morte do filho não é um "mimimi".

Em março deste ano, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ser preciso "enfrentar os nossos problemas" ao criticar medidas de restrição social e disse: "Chega de frescura, de mimimi. Vão ficar chorando até quando?"

A declaração de Bolsonaro aconteceu em meio à vacinação da população a passos lentos e a um dos piores períodos da crise sanitária vivida pelo país.

Soraya Thronicke foi eleita pelo PSL, partido ao qual Bolsonaro era filiado quando chegou à Presidência da República, e era tida como uma das principais bolsonaristas no Senado.

No entanto, ao longo da pandemia, ela tem se afastado dos defensores negacionistas do presidente, embora continue a defender uma série de bandeiras com as quais Bolsonaro se elegeu, como o combate à corrupção, o direito à propriedade privada e ao "direito de defesa", com a flexibilização da posse e do porte de armas.

A senadora afirma não ser uma "apoiadora cega".

A Comissão Parlamentar de Inquérito está na reta final. Divergências sobre pontos do relatório final elaborado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) fizeram com que a leitura do documento, marcado para amanhã, fosse adiada. A previsão é que a ação aconteça semana que vem.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.