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O que é o sieg heil, gesto nazista supostamente feito por Adrilles

Gesto de Adrilles Jorge foi interpretado como saudação nazista Imagem: Reprodução

Stella Borges e Isabella Cavalcante

Do UOL, em São Paulo

09/02/2022 15h59

O ex-BBB e comentarista político Adrilles Jorge foi demitido hoje da Jovem Pan News após fazer um gesto com a mão direita, associado ao sieg heil, saudação que remete ao nazismo.

O momento aconteceu no programa "Opinião" enquanto Adrilles falava sobre o caso de Monark, demitido do Flow Podcast por defender a existência de um partido nazista reconhecido por lei.

O ex-BBB leva a mão estendida à altura do rosto, num gesto parecido com a saudação nazista de Adolf Hitler (1889-1945). O apresentador William Travassos, surpreso, responde: "Surreal, Adrilles". Ele ri.

Com a repercussão do episódio, Adrilles negou que o gesto tenha relação com o nazismo e disse que estava apenas dando "tchau".

O que é o sieg heil?

11.dez.1941 - Hitler faz gesto nazista durante discurso Imagem: Keystone-France/Gamma Keystone via Getty Images

A saudação "Sieg Heil" ("Viva a vitória", em português) era usada em manifestações públicas nazistas nos anos 30.

Segundo o professor Everaldo de Oliveira Andrade, do Departamento de História da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo), o gesto era utilizado quando o partido nazista ainda era pequeno, numa tentativa de criar laços fortes entre seus integrantes. "Quando Hitler se torna líder passa a ter não apenas um significado de reverência, mas também de sobrevivência, porque quem não fazia ficava marcado", explica.

Já Victor Missiato, doutor e professor de História do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré, conta que o ato teve origem não só com Hitler, como com Joseph Goebbels, ministro da Propaganda na Alemanha nazista. "Eles criaram vários modelos, gestos e rituais para a ideologia nazista. O sieg heil é um 'salve a vitória', enaltecendo perspectiva de expansionismo alemão —o braço para frente e a mão fechada tem essa característica".

Esse gesto, segundo o professor, chegou ao Brasil por movimento similar com os integralistas, dos anos 1920 e 1930, o que "acompanhou muitos dos gestos nazifascistas europeus".

Qual o problema com o gesto?

"O maior problema é a ofensa contra outras pessoas que viveram, tiveram parentes e amigos ligados a grupos religiosos e étnicos afetados por isso", explica Missiato.

Além disso, replicar esse ato ligado ao nazismo pode ser considerado um ataque ao Estado e à liberdade de expressão, o que Adrilles e Monark afirmaram que defendem.

A liberdade de expressão não está fora do Estado, e ele deve proteger todos os cidadãos. Quando a liberdade de expressão defende partido e gesto que tem como base extermínio, essa defesa é um atentado à liberdade de expressão
Victor Missiato

Na interpretação de Missiato, os comentaristas podem até não ser alinhados às crenças nazistas, mas são desrespeitosos, inclusive, com a história da liberdade de expressão, que nasce "como defesa da tolerância religiosa".

Gesto pode ser considerado crime?

De acordo com a advogada constitucionalista Vera Chemim, mestre em administração pública pela FGV (Fundação Getulio Vargas), qualquer gesto ou palavra que remeta ao nazismo é considerado crime.

"Após ser objeto de investigação, ele pode ser enquadrado no artigo 20 da Lei 7.716 [que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor]. As penas previstas são de reclusão de 2 a 5 anos e multa", explicou. "Trata-se de uma afronta aos valores da Constituição."

O artigo citado pela advogada define como crime "fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo".

A lei também prevê pena de dois a cinco anos de reclusão e multa se qualquer um dos crimes for "cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza".

Crimes no nazismo

O Holocausto, como ficou conhecido o genocídio de judeus por alemães, está entre os maiores crimes cometidos contra a humanidade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha obrigou que os judeus trabalhassem de maneira forçada em campos de concentração. No entanto, eram enquadrados nessa situação os homens mais fortes. Aqueles considerados "improdutivos" eram enviados para as câmaras de gás.

Durante o Holocausto, cerca de 6 milhões de judeus foram exterminados. De uma população de 3 milhões de judeus na Polônia, menos de 500 mil restaram em 1945.

O episódio trouxe várias consequências no mundo. Em 1946, a ONU reconheceu por unanimidade os crimes de agressão, de guerra e contra a humanidade como crimes de direito internacional. Dois anos depois, a organização também adotou a Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio.

Desde o fim da Guerra Fria, tribunais especiais também julgaram crimes internacionais cometidos em países específicos, como o genocídio cometido em Ruanda em 1994. Já em 2002, um novo Tribunal Penal Internacional permanente começou a funcionar e o mesmo modelo também foi adotado em alguns países para processar autores de crimes internacionais.

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