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Pastor preso pela PF disse que iria 'destruir todo mundo', mostra jornal

Pastor Arilton Moura, apontado como lobista em 'gabinete paralelo' no MEC Imagem: Luiz Fortes/MEC

Do UOL, em São Paulo

24/06/2022 18h15Atualizada em 25/06/2022 10h02

O pastor Arilton Moura, apontado como um dos líderes do gabinete paralelo no MEC (Ministério da Educação), ligou para seus advogados logo após ter sido preso pela PF (Polícia Federal) e levado à sede da corporação no Pará. Na conversa, o religioso disse que iria "destruir todo mundo" se o caso chegasse a sua família, e pede que a equipe de defesa tranquilizasse a esposa.

"Eu preciso que você ligue para a minha esposa... acalme minha esposa... porque se der qualquer problema com a minha menininha, eu vou destruir todo mundo", disse. O trecho do diálogo, e que consta nas investigações, foi divulgado hoje pelo jornal O Globo.

A Operação da Polícia Federal "Acesso Pago", que culminou com a prisão de Milton Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

Os pastores, que não tinham cargo no MEC, são acusados de montar um "balcão de negócios" dentro da pasta ao supostamente cobrar propinas de prefeitos em troca de liberação de recursos do FNDE. O caso foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Os pedidos de propina incluíam ouro, além de outros favores.

Os pastores possuem 45 registros de entradas no Palácio do Planalto, na sede da Presidência da República, entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2022. Ao todo, os registros representam 35 visitas, pois em dez ocasiões, ambos os pastores estiveram juntos no Planalto. A relação de entradas e saídas dos dois foi divulgada em abril pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional). (Entenda as suspeitas clicando aqui)

Procurada pelo UOL, a defesa de Arilton Moura não se manifestou.

Milton Ribeiro sabia de operação

O delegado da Polícia Federal Bruno Calandrini afirmou que o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, "estava ciente da execução de busca e apreensão em sua residência". No despacho enviado à Justiça Federal e obtido pelo UOL, o policial também disse que Ribeiro recebeu a informação "supostamente" através de ligação recebida do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo Calandrini, as intercepções telefônicas detectaram três conversas que chamaram a atenção da PF; a primeira entre Milton Ribeiro e Waldomiro de Oliveira Barbosa Júnior, no dia 3 de junho, outra entre Ribeiro e um homem identificado como Adolfo em 5 de junho, e a fala entre o ex-ministro e sua filha, Juliana Pinheiro Ribeiro de Azevedo, no dia 9 de junho. Também é citada uma conversa de Milton Ribeiro com sua esposa, Myrian Pinheiro Ribeiro, no dia 22 de junho — data em que o ex-ministro foi preso.

Hoje, o MPF (Ministério Público Federal) disse ter suspeitas de interferência do chefe do Executivo federal nas investigações referentes ao ex-ministro na Operação da Polícia Federal "Acesso Pago". O procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes pediu o envio de parte do caso ao STF (Supremo Tribunal Federal), segundo documento obtido pelo UOL.

Na conversa com a filha, o ex-ministro da Educação disse que o presidente Bolsonaro o alertou sobre a operação de busca e apreensão que a PF faria contra ele - ação que acabou sendo realizada na última quarta-feira (22). (Confira o diálogo aqui)

Hoje também foram divulgados trechos de uma conversa na qual Myrian Ribeiro, esposa de Milton Ribeiro, disse que ele já "estava sabendo" sobre a operação, mas se recusava a acreditar. O trecho do diálogo, e que consta nas investigações, foi divulgado hoje pelo jornal O Globo.

"No fundo não queria acreditar, mas ele tava sabendo. Pra ter rumores do alto, a coisa... é porque o negócio já tava certo", disse em telefonema interceptado pela Polícia Federal.

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