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Jornal: Tentam jogar evangélicos contra Bolsonaro, diz pastor investigado

Pastor Gilmar Santos (à direita) em evento da Presidência da República - Carolina Antunes / PR
Pastor Gilmar Santos (à direita) em evento da Presidência da República Imagem: Carolina Antunes / PR

Do UOL, em São Paulo

30/06/2022 11h34

O pastor Gilmar Santos, investigado por suspeita de corrupção no Ministério da Educação, disse em conversa interceptada pela Polícia Federal acreditar que as denúncias tinham o objetivo de atingir o presidente Jair Bolsonaro (PL). O trecho do telefonema foi divulgado pelo jornal O Globo.

"Todo esse assunto envolveu mais uma politicagem. Eles querem atingir o presidente, porque conhecem minha influência no país, e estão tentando jogar os evangélicos contra o presidente. Graças a Deus isso cada dia está ficando mais esclarecido e mais resolvido", diz Santos em diálogo gravado em 6 de junho, com um líder evangélico de São Luís, no Maranhão.

Gilmar Santos foi preso na semana passada, junto com o pastor Arilton Moura e o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. Eles foram detidos no âmbito da Operação Acesso Pago, que investiga a suspeita de um "balcão de negócios" para liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação). Todos foram soltos no dia seguinte.

Em publicação nas redes sociais, Santos disse que sua detenção foi "ilegal" e "sem lastro na legislação brasileira, reconhecidamente inconstitucional". O religioso ainda apontou que "existe uma luta incansável para enfraquecer o governo eleito".

O eleitorado evangélico é tido como um dos grupos principais para a disputa à reeleição de Bolsonaro.

'Balcão de negócios'

As investigações da PF miram a atuação de Ribeiro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura em esquema para liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), órgão do governo controlado pelo centrão.

Os pastores são acusados de montar um "balcão de negócios" dentro da pasta ao supostamente cobrar propinas de prefeitos em troca de liberação de recursos do FNDE. O caso foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Em março, áudio obtido pelo jornal Folha de S.Paulo revelou que o governo federal priorizou a liberação de recursos a prefeituras indicadas pelos pastores, que atuavam como lobistas na pasta, apesar de não terem cargos oficiais no governo.

Na gravação, o ex-ministro diz que o privilégio atenderia a solicitação de Bolsonaro, que negou ter orientado o então subordinado a cometer qualquer irregularidade.

Após a divulgação do áudio, o prefeito do município de Luis Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), disse que o pastor Arilton Moura solicitou R$ 15 mil antecipados para protocolar as demandas da cidade, além de um quilo de ouro.

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