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'Há desinformação, ignorância e má-fé', diz Barroso sobre ataques às urnas

Ministro Luís Roberto Barroso em sessão do STF - Nelson Jr. / STF
Ministro Luís Roberto Barroso em sessão do STF Imagem: Nelson Jr. / STF

Colaboração para o UOL, em Maceió

08/08/2022 09h14

Ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso voltou a criticar os ataques às urnas eletrônicas, e disse que "há desinformação, ignorância e má-fé" naqueles que disseminam fake news sobre a lisura das eleições no Brasil, como forma de tentar desacreditar o sistema eleitoral do país.

Em entrevista a GloboNews, Barroso não citou nominalmente o presidente Jair Bolsonaro (PL), principal responsável pelos ataques às urnas, embora nunca tenha apresentado uma prova sequer para corroborar suas acusações, mas ponderou que há uma "obsessão" em mexer "naquilo que funciona bem", mesmo "com tanta coisa indo mal" no país.

"Com tanta coisa neste momento no mundo e no Brasil indo mal, há uma certa obsessão por mexer exatamente naquilo que funciona bem, que é o sistema eleitoral. Eu acho que há um pouco de desinformação, um pouco de ignorância e há um pouco de má-fé. Portanto cada um desempenhando o papel que deseja", declarou o ministro.

Para Barroso, o uso de informações falsas tem sido "naturalizado" no debate público e, para combatê-las, é preciso educar a sociedade "para não cometer esse delito".

Barroso nega sala secreta no TSE

Na entrevista, Luís Roberto Barroso aproveitou para negar a existência de uma suposta "sala secreta" dentro do TSE para apurar os votos no dia das eleições. A mentira foi compartilhada por Jair Bolsonaro e sua claque de apoiadores, e já havia sido desmentida pela Justiça Eleitoral, que, inclusive, recebeu influenciadores digitais para explicar como funcionam as urnas eletrônicas e rebater as fake news que circulam nas redes sociais.

O ex-presidente do TSE classificou como "lenda", "tolice" e "bobagem" a mentira propagada por Bolsonaro sobre a tal "sala secreta", e garantiu que a apuração é feita pelo somatório dos boletins de urnas.

"O que nós temos no TSE é um supercomputador que faz essa conta porque são cerca de 6 mil municípios e dezenas de milhares de candidatos. Para facilitar a vida, a conta é feita lá no TSE, mas ela pode ser conferida por todo mundo porque esses boletins de urna são impressos, distribuídos e colocado na internet", pontuou, ressaltando ser "sempre possível conferir o que o TSE divulga com esses boletins de urna que foram impressos".

Urnas eletrônicas são seguras

Declarações de Bolsonaro que colocam sob suspeita o processo eleitoral brasileiro são falsas e os resultados de todas as eleições realizadas desde sua implementação são confiáveis, afirmam especialistas em segurança digital ouvidos pelo UOL. Especialistas e autoridades, inclusive peritos da PF e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), também afirmar que a urna eletrônica é segura.

Segundo eles, nenhum sistema é 100% seguro. No entanto, na prática, é extremamente improvável aplicar uma fraude em larga escala na votação com urnas eletrônicas, já que isso implicaria a violação de inúmeras máquinas espalhadas pelo país. Mesmo assim, o TSE leva em conta, em seus testes de segurança, situações que são de complexa execução.

Desde que as urnas eletrônicas foram implementadas —parcialmente em 1996 e 1998, e integralmente a partir de 2000— nunca houve comprovação de fraude nas eleições brasileiras, mesmo quando os resultados foram contestados. A segurança da votação é constatada pelo TSE, pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos independentes.