Topo

Esse conteúdo é antigo

Após ação golpista do PL fracassar, Mourão fala em 'combater a esquerda'

O presidente Jair Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão - Reuters
O presidente Jair Bolsonaro e o vice, Hamilton Mourão Imagem: Reuters

Do UOL, em São Paulo

24/11/2022 12h39Atualizada em 24/11/2022 13h10

O vice-presidente da República, o senador eleito Hamilton Mourão (Republicanos), chamou de "violação" a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de rejeitar a ação golpista do partido do presidente Jair Bolsonaro, o PL, para anular os votos de 60% das urnas apenas no segundo turno, e pediu a mobilização dos manifestantes de direita.

"Rumamos para um precipício. Assim, é chegada a hora da direita conservadora se organizar para combater a esquerda revolucionária", escreveu ele nas redes sociais. "Necessário é reagir com firmeza, prudência e conhecimento; dentro dos ditames democráticos e constitucionais, para restabelecer o Estado Democrático de Direito no Brasil".

"Vive-se hoje no Brasil, infelizmente, uma violação do Pacto Federativo, perpetrada pela mais alta instância do Judiciário", afirmou, acrescentando que o questionamento sem fundamento das urnas é uma "polêmica justificada", e que o TSE não tem o direito de impor uma "multa absurda".

Nesta semana, o PL entrou com uma ação no TSE para anular o resultado de 279 mil urnas apenas no segundo turno da eleição, dando assim a vitória a Bolsonaro, que foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mais de 2 milhões de votos.

Para o partido, cinco dos seis modelos das urnas usados na votação não são "auditáveis", o que especialistas negam. Se considerado apenas o resultado dessas urnas, Bolsonaro teria 51% dos votos válidos, contra 48,9% de Lula. O PL, porém, não quis estender o pedido ao primeiro turno, quando elegeu uma bancada de 99 deputados e oito senadores, com a justificativa de evitar "tumulto".

Ontem, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou a ação, e estipulou uma multa de R$ 22,9 milhões, por considerar que a legenda agiu de má-fé. Ele também suspendeu o fundo partidário das siglas que integram a coligação de Bolsonaro até o pagamento da multa.

Desde a noite da eleição, bolsonaristas fazem bloqueios ilegais em estradas e manifestações em frente a quartéis. Eles contestam o resultado das urnas e pedem intervenção militar. Esses atos atrasaram caminhões com mantimentos e remédios, e impediram a doação de um coração em Goiás.

O ministro Alexandre de Moraes destacou em decisão que os direitos de greve e de reunião são garantidos pela Constituição, mas que esses protestos foram criminosos ao "propagar o descumprimento e desrespeito ao resultado do pleito eleitoral [...], com consequente rompimento do Estado Democrático de Direito e a instalação de um regime de exceção".