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OPINIÃO

Usam corpos de mulheres para chantagem política, diz vereadora evangélica

Colaboração para o UOL

17/06/2024 19h23Atualizada em 17/06/2024 20h05

A vereadora evangélica Aava Santiago (PSDB-Goiânia) disse no UOL News desta segunda (17) que o Projeto de Lei 1904/2024, o PL antiaborto, que equipara aborto ao crime de homicídio, usa crianças e mulheres para chantagear o governo federal. A parlamentar destacou que ele não reflete a opinião dos evangélicos e que a bancada que o defende deteriora a representação desse grupo de cristãos.

Eu tenho advogado muito pela urgência de que não só o debate público compreenda, mas, principalmente, a política compreenda que essa bancada evangélica não deve ser legitimada como interlocutora dos interesses dos evangélicos. Embora os evangélicos sejam muitos e, sim, você tem evangélicos que legitimam esses deputados que estão aí — tanto é que eles têm mandato —, mas, cada vez mais eles têm se distanciado daquilo que é urgente na base evangélica. E, mais do que isso, estamos diante de uma deterioração dessa representação. Essa legislatura, especialmente, é uma legislatura em que a gente viu os pastores sendo substituídos por youtubers e delegados da antiga bancada da bala sendo substituídos por CACs. Aava Santiago, vereadora

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A vereadora ressaltou que os parlamentares que saíram em defesa do projeto são extremistas de direita saídos das redes sociais.

Houve uma perda muito grande de qualidade nessa interlocução. Você não tem mais aqueles pastores que, embora eu possa discordar deles em parte considerável de sua agenda pública, o fato de que eles tivessem vivência nas comunidades de fé, estivessem ali se relacionando com as igrejas, com os fiéis, com as angústias, com a fome, com os divórcios, com os filhos expulsos de casa... Tudo isso era realidade de gabinete pastoral, a realidade que o pastor tem que lidar, a família que ele tem que visitar no fim de semana.

Esse pastor não é mais maioria dessa bancada que representa hoje, em tese, os evangélicos. Veja quem são, além do Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), os outros interlocutores a falar desse PL: Julia Zanata (PL-SC), Nikolas Ferreira (PL-MG). Veio todo mundo de uma mobilização de extrema direita das redes e muito desconectada da realidade do Brasil e, por isso, não dá conta da dimensão que é. Tanto a representação dos evangélicos quanto o que projetos como esse podem incidir de maneira trágica, inclusive, nas nossas comunidades de fé. Aava Santiago, vereadora

Para Aava, é dever dos partidos se posicionarem para que o PL não avance.

O partido [PSDB] está construindo um documento que será publicado com o posicionamento contrário ao PL, contrário à desumanidade e, principalmente, contrário ao uso dos corpos das crianças, da vida das mulheres pra fazer chantagem política. Essa discussão feita no espectro da agenda moral já é muito problemática , mas como foi feita agora, exclusivamente, admitidamente, feita pra chantagear o governo, é inadmissível. Não só o partido, mas os quadros que têm interlocução com o debate nacional têm obrigação de se posicionarem contrários a isso. Aava Santiago, vereadora

Posicionamentos diferentes

A vereadora do PSDB de Goiânia lembrou que os influenciadores das igrejas não estão se mobilizando pela pauta, ficando a defesa a cargo dos "histriônicos".

O desespero está batendo nos histriônicos, não está batendo na base, porque, de fato, a matéria não convenceu a base. É uma leitura complexa de ser feita. Mas, pessoas que, em tese, seriam muito mais críticas ao segmento evangélico por causa desse projeto também começaram a enxergar que existem camadas de evangélicos, existem diferentes posicionamentos, diferentes vozes e, sobretudo, existem diferentes prioridades. A pauta aborto sempre foi importante, cara, delicada, mas jamais dessa forma como tem sido vendida e postulada agora. Isso mostra que os evangélicos têm outras prioridades, querem outra coisa. Aava Santiago, vereadora

Aava, que está sendo sondada pelo PT, disse que continua no PSDB.

Eu não tenho interesse de mudar de partido. Mas, acho que esse é o gancho perfeito para que o governo federal e os seus interlocutores consigam avançar nisso que, sem dúvida, é a área que o governo mais patina de alcançar e entender os evangélicos. (...) Daqui 5 anos, seremos 120 milhões de pessoas, requer um esforço mais artesanal e complexo dessa teia social. Aava Santiago, vereadora

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Quando: De segunda a sexta, às 10h e 17h.

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