Moraes autoriza visita de senadores bolsonaristas a ex-diretor da PRF preso

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), acatou o pedido de um grupo de senadores bolsonaristas e permitiu que eles visitem o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, na cadeia da Papuda, no Distrito Federal.

O que aconteceu

A autorização foi assinada por Moraes na última quinta-feira (20) e divulgada hoje (24). Na quarta-feira, os senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF) estiveram no Supremo para um encontro breve com o ministro, em que reiteraram o pedido que já havia sido feito em novembro.

O pedido é assinado por 17 senadores, quase todos bolsonaristas: o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS); os ex-ministros Damares Alves, Rogério Marinho (PL-RN), Sergio Moro (União-PR), Ciro Nogueira (PP-PI), Marcos Pontes (PL-SP) e Tereza Cristina (PP-MS); e também Eduardo Girão (Novo-CE), Esperidião Amin (PP-SC), Izalci Lucas, Zequinha Marinho (Podemos-PA), Jaime Bagatolli (PL-RO), Luiz Carlos Heinze (PP-RS), Jorge Seif (PL-SC), Plínio Valério (PSDB-AM), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Magno Malta (PL-ES).

Moraes autorizou que os senadores façam visitas a Silvinei previamente agendadas, em grupos de até 3 parlamentares por vez. Ele proibiu estritamente a entrada de terceiros, tais como seguranças, familiares e assessores, na unidade prisional. O agendamento deve ser feito com a Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.

Na decisão, o ministro frisou que é proibido entrar com celulares dentro da galeria onde ficam os presos. Também destacou a proibição de fazer fotos ou gravações no local.

Suspeita de tentativa de interferência na eleição

O ex-diretor da PRF está preso desde 9 de agosto do ano passado. Ele foi detido em Santa Catarina e transferido para Brasília.

Silvinei é suspeito de tentar interferir na corrida presidencial de 2022. No dia do segundo turno, a Polícia Rodoviária fez blitze em rodovias do Nordeste, e revistas demoradas retardaram o tráfego de ônibus que levavam eleitores para os locais de votação.

As operações foram interpretadas como uma maneira de desencorajar eleitores irem às urnas. As pesquisas apontavam que Lula era o candidato preferido na região. O petista teve 69,34% no segundo turno no Nordeste.

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No próprio dia, Alexandre de Moraes, que era presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ordenou o fim das blitze. Silvinei foi ameaçado de prisão caso não obedecesse a determinação.

CPI e prisão

Antes de ser preso, Silvinei foi ouvido pela CPI do 8 de Janeiro. As declarações do ex-diretor da PRF foram prestadas em junho de 2023, apresentaram contradições e ainda houve citação de dados falsos. O relatório da comissão sugeriu o indiciamento dele.

Preso, o ex-diretor da PRF emagreceu e tentou fazer exame da OAB. Celíaco, ele perdeu mais de 10kg na Papuda e chegou a fazer o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) mas não foi aprovado na segunda fase.

A investigação sobre Silvinei corre sob sigilo. Até o momento não há registro de denúncia contra ele pelo episódio ocorrido no dia do segundo turno das eleições.

Além de Silvinei Vasques, foram denunciadas em março deste ano outras sete pessoas pelo episódio. A defesa de Silvinei nega as acusações.

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Em paralelo a isso, ex-diretor da PRF foi denunciado por fraude em compra de veículos blindados. Contrato fechado pela PRF durante sua gestão teria causado prejuízo de R$ 13 milhões segundo o Ministério Público Federal no Rio.

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