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Josias: É deprimente delegar à PM a tarefa de ministrar aulas em SP

É deprimente delegar aos policiais militares a tarefa de ministrar aulas em escolas públicas de São Paulo, afirmou o colunista Josias de Souza no UOL News desta terça (25). Josias criticou uma nova resolução do governo estadual que autoriza PMs da reserva a darem aulas sobre política e ética nas escolas cívico-militares em São Paulo.

É uma deturpação dos princípios que devem reger a educação das crianças no Brasil. Nesse sentido, a gestão Bolsonaro prestou um serviço porque expôs uma desqualificação que muitos nem sabiam que havia nos quartéis, aí falando de Forças Armadas e também nas Polícias Militares muita deformação.

E nós vimos que o conceito de civismo, de patriotismo, de ética desses oficiais, alguns das Forças Armadas, outros tantos das Polícias Militares, não são os conceitos corretos. E é realmente alarmante você delegar a Polícias Militares, cuja deformidade na formação é estampada em cenas que estão presentes no cotidiano dos brasileiros, é muito deprimente você delegar a esta corporação a tarefa de ministrar aulas em escolas públicas do maior estado do Brasil, São Paulo. Josias de Souza, colunista do UOL

Josias destacou que a Secretaria de Educação de São Paulo tem tomado diversas decisões que causam ruídos nas escolas.

Realmente está havendo muito ruído em relação à educação em São Paulo. Os ruídos começaram com o desprezo da Secretaria de Educação pelos livros didáticos distribuídos pelo MEC depois voltaram atrás. Muitas decisões tomadas, recuos, e essa delegação para que policiais militares deem aulas de ética, respeito, civismo é realmente muito preocupante.

Na prática, está abrindo mão de ministrar aulas, e até acho que devem ser essas disciplinas ou esses conceitos, eles devem chegar à sala de aula. Conceito de respeito, de ética, até de civismo, mas de forma adequada. Por ora, esse tipo de delegação estaria presente nas escolas cívico militares, mas já estão colocando os policiais militares também pra cuidar da segurança nas escolas. E aí você pergunta: 'É o mais adequado? Esses policiais vão para dentro da escola? Vão intervir em eventuais desavenças entre alunos? Josias de Souza, colunista do UOL

A liberdade de imprensa saiu como grande vencedora com a libertação de Julian Assange, que representa um alento para os jornalistas de todo o planeta, afirmou o colunista Leonardo Sakamoto, também no UOL News de hoje.

Fundador do WikiLeaks, Assange deixou ontem a prisão em Londres, na qual estava desde 2019, após firmar um acordo com a Justiça dos Estados Unidos. O jornalista e ativista australiano concordou em se declarar culpado da acusação de complô por revelar dados secretos de defesa nacional sobre a atividade militar dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

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A libertação do Assange é um alívio para jornalistas que desmascaram governos em todo o mundo e, nesse sentido, tem uma importância muito grande. É um sinal de que você, mesmo lutando diante do governo norte-americano, talvez a instituição mais poderosa do planeta, pode fazer com que a liberdade de expressão enfim prevaleça.

Na prática, é uma campanha global que envolveu presidentes progressistas, religiosos, organizações de vários países, imprensa e a sociedade civil, pressionando o governo dos EUA e mostrando todo o ridículo daquela situação. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

Para Sakamoto, não se deve olhar para o caso de Assange pelo lado pessoal, mas sim pelo direito à liberdade de expressão.

Quando se discute sobre o tema do Assange, muitos acabam entrando no passado dele. Não é o Assange que está em jogo, mas sim a prisão por ele ter feito o que fez, algo que jornalistas fazem todos os dias: pegam informações que governos não querem tornar públicas e consideram sigilosas e, em nome do interesse público, divulgam isso.

O fato de um jornalista estar preso há muitos anos por conta disso era um mau sinal. Por mais que seja doloroso por ter passado tanto tempo, é um sinal alvissareiro que mesmo a instituição mais poderosa do mundo teve que fazer um acordo devido a essa pressão, que importou.

Foi tudo em nome do Assange? Não; em nome da liberdade de imprensa. Hoje é um dia no qual a liberdade de expressão vence. O que se trata aqui é o direito de informar livremente. Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

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Jamil: Assange fica livre em momento de debate sobre desinformação

A libertação de Julian Assange se dá em um momento de intenso debate sobre o papel da internet na propagação de notícias falsas e de discursos de ódio, disse Jamil Chade. O colunista relembrou a entrevista com o fundador do WikiLeaks em 2013, na qual o ativista já alertava sobre os riscos que a internet representava.

Quando o WikiLeaks acontece e Assange começa a denunciar o funcionamento da internet, não existia o termo fake news e o debate sobre a desinformação e a disseminação do ódio. Isso não era um tema de governo ou de debate nacional. Era, acima de tudo naquele tempo, um assunto de vigilância.

Ele fica livre em um momento no qual a internet vem a público com outro debate: regulação. Qual será a voz de Assange em relação a isso, à desinformação e à disseminação do ódio? Jamil Chade, colunista do UOL

O UOL News vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: às 10h com apresentação de Fabíola Cidral e às 17h com Diego Sarza. O programa é sempre ao vivo.

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Quando: De segunda a sexta, às 10h e 17h.

Onde assistir: Ao vivo na home UOL, UOL no YouTube e Facebook do UOL.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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