Antes e depois da lama

Sete fotos de Brumadinho revelam o tamanho da tragédia após o rompimento da barragem da Vale

Talita Marchao e Carla Borges Do UOL, em São Paulo Wilton Júnior/Estadão Conteúdo

Um refeitório com dezenas de funcionários almoçando. Uma pousada. Vários veículos. Centenas de hectares. Tudo foi coberto por uma enxurrada de lama que devastou parte de Brumadinho (MG), depois do rompimento de uma das barragens da mineradora Vale na sexta-feira (25).

Desde então, equipes de resgate trabalham na busca por sobreviventes. Mas a maior parte dos resgatados são corpos, em um tragédia humana ainda mais grave do que a que acometeu, há três anos, a cidade de Mariana -- também em Minas Gerais, também envolvendo a Vale.

Como os resgates ainda estão em andamento e devem se estender por semanas, o número de vítimas deve crescer. Até esta terça, 65 corpos sem vida foram retirados em meio ou debaixo da lama do chamado "rejeito" -- a sobra do processo de mineração, que separa metais de valor comercial, em grande parte exportado, de terra sem utilidade industrial.

E foram 12 milhões de metros cúbicos dessa terra rejeitada pela mineração que devastou parte de Brumadinho, cidade próxima a Belo Horizonte com pouco menos de 40 mil habitantes.

As imagens abaixo testemunham o que havia na região e o que restou. A primeira desta série mostra o centro administrativo da Vale e a pousada Nova Estância, em imagem captada por um satélite da Agência Espacial Europeia, antes e depois do desastre. Nas fotos grandes, estão as imagens do antes e do depois. Nas imagens menores de cada foto, está a localização de cada área atingida.

O desastre em detalhes

Por diversos ângulos é possível ver o impacto da lama. Por volta das 13h da sexta-feira (25), a barragem 1 eclodiu e atingiu, primeiramente, prédios da Vale, e depois tudo mais que havia pela frente, incluindo plantações, casas e animais pastando.

Nada mais está no lugar onde estava. Em alguns pontos, a lama hoje conta com 15 metros de profundidade, tornando os trabalhos de resgate ainda mais difíceis. 

As imagens mostram com mais detalhes antes e o depois da área da barragem que se rompeu na mina do Córrego do Feijão, um distrito de Brumadinho.

É possível ver com detalhes o rompimento da Barragem 1, de rejeitos de minério de ferro, e a Barragem 6, de água --desde a queda da barragem ao lado, ela foi monitorada.

Nas imagens, é possível ver a barragem 6, que tem água para recirculação dos trabalhos da mina Córrego do Feijão. Na imagem, nota-se que a onda de lama desceu muito próxima da estrutura da barragem.

Ela quase se rompeu no domingo devido ao seu volume de armazenamento após uma forte chuva depois da tragédia --ela precisou ser drenada até não apresentar riscos à população.

Nas imagens, é possível com mais detalhes a barragem 6, que tem água para recirculação dos trabalhos da mina Córrego do Feijão. Na foto, nota-se que a onda de lama desceu muito próxima da estrutura da barragem.

Segundo o Corpo de Bombeiros, ela está praticamente vazia: dos quase 4 milhões de metros cúbicos que ela armazenava quando soou o alarme de risco de rompimento, no domingo, ela tem nesta terça-feira pouco mais de 100 mil metros cúbicos.

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